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06/05/2007 - 22h13

Do rock ao samba, Municipal vibra na Virada Cultural

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CAIO VILELA
Colaboração para a Folha Online

Acostumado às orquestras, óperas e balés, o palco do Teatro Municipal de São Paulo viveu um dia atípico e emocionante neste domingo que marcou a reta final da Virada Cultural.

O movimento começou logo cedo. Às 5h, uma enorme fila, que virava a esquina da calçada do teatro, esperava para assistir à apresentação da banda paulistana The Central Scrutinizer Band, que entrou no palco às 6h, para executar na íntegra a seqüência de faixas de um dos álbuns mais significativos da obra de Frank Zappa: "Over Night Sensation".

Emocionado por tocar em espaço tão nobre, o líder do conjunto, Mano Bap, agradecia repetidamente ao público e à organização do evento pela oportunidade de se apresentar ali. "Estou realizando um sonho", declarou o multiinstrumentista logo no início da apresentação.

Tocando seus instrumentos em volume bem mais baixo que o normal para shows em casas noturnas, onde a banda está acostumada a se apresentar, os oito músicos se aproveitaram da acústica perfeita do teatro para executar com precisão as complexas composições do mestre roqueiro.

No interior do teatro, lotado da platéia às galerias superiores, gente que havia virado a noite percorrendo os eventos se misturava aos fãs da banda que acordaram cedo para assistir ao show inédito. "Entrei no teatro de noite e saí de dia. Estou adorando a experiência de ver um show bem cedinho, antes mesmo de tomar café!", afirmou o arquiteto Paulo Pascotto na saída, enquanto descia para comprar um pão de queijo, ali mesmo no Municipal, para depois "começar o dia".

Às 9h, uma guinada radical de estilos trouxe ao palco Germano Mathias, sambista paulistano que, aos 73 anos, mostrou a um público jovem estar em plena forma. Homenageado recentemente pela gravadora Odeon com o lançamento em CD de um dos seus discos mais importantes, "Ginga no Asfalto", de 1962, o sambista irreverente e piadista cantou as músicas do álbum, acompanhado pelo conjunto de Oswaldinho da Cuíca.

Entre piadas, histórias curiosas e sambas sincopados, Germano cantava feliz como um jovem músico subindo ao palco pela primeira vez e deixava clara sua intenção de ficar ali o dia todo. Mas a programação tinha que seguir e o samba deu lugar à MPB de Sergio Ricardo e seu violão.

Sergio cantou clássicos de sua carreira e as músicas que compôs em 1963 para o filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha. Assim como o artista da apresentação anterior, mal viu o tempo passar e encerrou o show de uma hora e meia aplaudido de pé e lamentando o momento de deixar o palco.

Às 15h, os veteranos do Zimbo Trio receberam a cantora Fabiana Cozza para mais uma performance histórica. Juntos reproduziram inteiramente o clássico disco que trio gravou com Elis Regina em 1965, "O Fino do Fino".

Encerrando a programação, o clarinetista Paulo Moura, natural de São José do Rio Preto, subiu ao palco às 18h para prestar uma homenagem ao grande mestre compositor Radamés Gnatalli. Moura executou com maestria composições de 1959 e encerrou de forma brilhante a programação da virada no Municipal que, já no final do mês, retoma sua programação anual, repleta de concertos, balés e óperas, que em 2006 atraíram àquela platéia um público recorde de 185 mil pessoas.

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