Benigni repete fórmula de sucesso em "O Tigre e a Neve"
SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha
Para um especialista em humor capaz de extrair material do cotidiano em um campo de concentração, encontrar um modo de fazer uma comédia romântica em torno da invasão do Iraque parece fichinha. Mais do que isso: depois do malsucedido "Pinóquio" (02), eleger outra vez um argumento "sério" (e atual) soa como tentativa de reencontrar a trilha do sucesso pela repetição da fórmula.
O discreto desempenho internacional de "O Tigre e a Neve" (05) sugere que fora da Itália, onde continua a ter prestígio expressivo, Roberto Benigni retornou ao status que desfrutava antes de "A Vida É Bela" (97): o de um comediante cujo histrionismo à moda italiana tem público cativo, mas restrito.
Pois tanto os que amam Benigni quanto os que o odeiam terão, em "O Tigre e a Neve", motivos para confirmar seu juízo. No coração do argumento, uma história de amor impossível entre um professor (Benigni) e o objeto de sua fervorosa devoção (Nicoletta Braschi, mulher do diretor).
Quando ela vai para o Iraque, ele corre atrás. No caminho, encontra obstáculos e os contorna com o que parece ser a inconseqüência dos apaixonados. Como se descobrirá, porém, seu comportamento abnegado vem também de outra fonte, mais nobre.
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