Boas intenções de "Esses Moços" se perdem em trama frouxa
CHRISTIAN PETERMANN
do Guia da Folha
Longas-metragens produzidos na Bahia são raros. No ano passado, foi lançado o interessante "Eu me Lembro", de Edgar Navarro. Neste, houve o global "Ó Paí, Ó" e agora chega às telas "Esses Moços", de José Araripe Jr.
O cineasta retoma temas de seus curtas, como a redenção da velhice em contato com a infância e a cidade de Salvador como personagem e narradora. Aqui, duas irmãs sem-teto e menores de idade perambulam pela cidade baixa e formam uma família informal com um velho desmemoriado (Inaldo Santana).
As boas intenções de Araripe são claras, da mesma forma como a ingenuidade de seu tratamento. É curioso reparar, entre os roteiristas, no nome de Hilton Lacerda ("Baixio das Bestas"), já que a trama é frouxa e superficial. É evidente a imaturidade de Araripe como cineasta, inapto em dar coesão e ritmo ao material que tem em mãos.
É inspirado, por sua vez, o uso de belas locações soteropolitanas, como a feira de São Joaquim e a estação da Calçada, como cenários de abandono para seus personagens marginais. A indigência civil, de alienação e violência, está presente, infelizmente, em função de uma premissa incapaz de se fazer valer.

