22/12/2000
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08h09
especial para a Folha de S. Paulo
Ben Affleck parece ser fiel aos mais velhos. Depois de quase uma vida ao lado do melhor amigo, Matt Damon, o astro se afastou do companheiro com a fama que chegou com o premiado "Gênio Indomável" (1997), escrito pelos dois, que se tornaram superestrelas da noite para o dia na cerimônia do Oscar. A partir daí, a dupla seguiu caminhos profissionais opostos.
Matt Damon, com pinta de galã bonitinho, virou candidato a Brad Pitt aos 26 anos de idade, passando a fazer filmes "cabeça", entre os quais "O Talentoso Ripley".
Ben Affleck, por sua vez, aos 24, não tinha a beleza física do amigo.
Optou, portanto, por fazer comédias românticas adocicadas, como "Forças da Natureza", e superproduções de ação, como "Armageddon". Ficou também no muro, entre os dois distintos gêneros, fazendo "Jogo Duro", do veterano John Frankenheimer. Um thriller comédia no qual Affleck aparece em fortes amassos com Charlize Theron.
Em entrevista à Folha, Ben Affleck falou sobre o ex-presidiário Rudy Duncan do filme e de sua vontade de, tal como Damon, interpretar um personagem gay no cinema.
Folha - O que faria primeiro se fosse libertado de uma prisão depois de cinco anos de reclusão, como o personagem de "Jogo Duro"?
Ben Affleck - Acho que pegaria meu carro e sumiria em uma estrada sem destino. Adoro dirigir, como meu personagem do filme. A diferença é que não tenho o costume de roubar. Não preciso.
Folha - Como se preparou para interpretar um ex-detento?
Affleck - Visitei penitenciárias e conversei com os presos. Uma prisão de segurança máxima não é nada agradável. É muito triste, você está sempre com medo. Procurei conversar com condenados por crimes não violentos, como é o caso de Rudy. Achei que lá só fosse encontrar pessoas amarguradas e brutas, mas descobri que eles têm um excelente senso de humor. Resolvi desenvolver Rudy com esse humor. É assim que os presos apóiam uns aos outros para aguentar tanto tempo trancafiados numa cela.
Folha - Em uma cena de amor com Charlize, parece até que você saiu machucado de tanto entusiasmo.
Affleck - Você tem de levar em conta que o cara passou cinco anos na prisão, sem rolar nada, totalmente desprovido de sexo. Diante dessa realidade, até que não me machuquei muito. Não sou do tipo masoquista (risos). Infelizmente, a sequência foi cortada para que os jovens pudessem assistir, mas em DVD haverá a versão completa.
Folha - Você também tem planos de fazer o papel de um homossexual num filme, como Damon em "O Talentoso Ripley"?
Affleck - Sim. Contanto que o filme seja bom e o personagem interessante, não penso nas ramificações que possam surgir pelo fato de eu interpretar um gay no cinema. Quantos atores interpretam papéis de assassinos em Hollywood, e ninguém diz que isso é uma decisão arriscada em suas carreiras? Nada pior do que matar uma outra pessoa, certo?
Ben Affleck leva humor à prisão no filme "Jogo Duro"
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CLAUDIO CASTILHOespecial para a Folha de S. Paulo
Ben Affleck parece ser fiel aos mais velhos. Depois de quase uma vida ao lado do melhor amigo, Matt Damon, o astro se afastou do companheiro com a fama que chegou com o premiado "Gênio Indomável" (1997), escrito pelos dois, que se tornaram superestrelas da noite para o dia na cerimônia do Oscar. A partir daí, a dupla seguiu caminhos profissionais opostos.
Matt Damon, com pinta de galã bonitinho, virou candidato a Brad Pitt aos 26 anos de idade, passando a fazer filmes "cabeça", entre os quais "O Talentoso Ripley".
Ben Affleck, por sua vez, aos 24, não tinha a beleza física do amigo.
Optou, portanto, por fazer comédias românticas adocicadas, como "Forças da Natureza", e superproduções de ação, como "Armageddon". Ficou também no muro, entre os dois distintos gêneros, fazendo "Jogo Duro", do veterano John Frankenheimer. Um thriller comédia no qual Affleck aparece em fortes amassos com Charlize Theron.
Em entrevista à Folha, Ben Affleck falou sobre o ex-presidiário Rudy Duncan do filme e de sua vontade de, tal como Damon, interpretar um personagem gay no cinema.
Folha - O que faria primeiro se fosse libertado de uma prisão depois de cinco anos de reclusão, como o personagem de "Jogo Duro"?
Ben Affleck - Acho que pegaria meu carro e sumiria em uma estrada sem destino. Adoro dirigir, como meu personagem do filme. A diferença é que não tenho o costume de roubar. Não preciso.
Folha - Como se preparou para interpretar um ex-detento?
Affleck - Visitei penitenciárias e conversei com os presos. Uma prisão de segurança máxima não é nada agradável. É muito triste, você está sempre com medo. Procurei conversar com condenados por crimes não violentos, como é o caso de Rudy. Achei que lá só fosse encontrar pessoas amarguradas e brutas, mas descobri que eles têm um excelente senso de humor. Resolvi desenvolver Rudy com esse humor. É assim que os presos apóiam uns aos outros para aguentar tanto tempo trancafiados numa cela.
Folha - Em uma cena de amor com Charlize, parece até que você saiu machucado de tanto entusiasmo.
Affleck - Você tem de levar em conta que o cara passou cinco anos na prisão, sem rolar nada, totalmente desprovido de sexo. Diante dessa realidade, até que não me machuquei muito. Não sou do tipo masoquista (risos). Infelizmente, a sequência foi cortada para que os jovens pudessem assistir, mas em DVD haverá a versão completa.
Folha - Você também tem planos de fazer o papel de um homossexual num filme, como Damon em "O Talentoso Ripley"?
Affleck - Sim. Contanto que o filme seja bom e o personagem interessante, não penso nas ramificações que possam surgir pelo fato de eu interpretar um gay no cinema. Quantos atores interpretam papéis de assassinos em Hollywood, e ninguém diz que isso é uma decisão arriscada em suas carreiras? Nada pior do que matar uma outra pessoa, certo?

