As aventuras de um micreiro nas eleições
FRANCISCO MADUREIRAEditor de Informática da Folha Online
Dia de eleição. Como um bom brasileiro, ele acorda às 7h30, toma um cafezinho e sai. O colégio onde vota fica perto de casa, de quinze minutos de caminhada e pronto.
Depois de driblar santinhos e entrar na escola, a fila. Dez minutos, vinte minutos... finalmente, ele entrega seu título de eleitor ao mesário, que confere o documento e diz: "Pode votar".
No cafofo eleitoral, escondida pelo papelão, lá está ela --a palavra final da democracia (?). A urna eletrônica. Computadorzinho que vai registrar o seu voto e o de mais 115 milhões de brasileiros. Depois vai criptografá-los (método que embaralha os dados para manter sua segurança) e gravá-los num disquete --cujo conteúdo depois será transmitido via rede ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que totaliza os votos.
Diante do ápice da sociedade tecnológica, o cibereleitor pára por um segundo antes de digitar os números. Ele pensa. "E se, durante o meu voto, a urna travar?"
Já imaginou? "Deu pau na urna!" De repente, aparece a tela azul e a mensagem: "Seu candidato executou uma operação ilegal, e esta urna será fechada".
Também cogita: "Se o sistema computadorizado da eleição relaciona meu título de eleitor ao que eu digito na urna, quem garante que meu voto é secreto?"
Ele ia começar a pensar na transmissão dos votos por rede para o TSE, na possibilidade de a conexão cair e de alguns votos serem perdidos... também passou vagamente pela sua cabeça a remota (mas... impensável?) possibilidade de um hacker driblar a segurança, invadir a rede do TSE e apagar todos os votos...
Mas não! Com um balançar de cabeça, ele tira da mente essas idéias absurdas e incompatíveis com a democracia moderna. Vota. E pronto.
A série de crônicas "As aventuras de um micreiro" é publicada na coluna Usuário.com, no primeiro fim de semana de cada mês.
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