Informática
05/03/2003 - 07h20

Garotas não sabem como o PC funciona

KAREN STABINER
do "The New York Times"

Qualquer pessoa que já tenha bisbilhotado uma garota off-line sabe que elas adoram computadores. Elas só não entendem como eles funcionam. A ciência da computação é tão impopular entre elas que até as mais rigorosas escolas femininas raramente conseguem um número suficiente de alunas para abrir uma turma.

Há quem afirme que as meninas vêem os computadores como um recurso de comunicação, e a melhor forma de estimulá-las seria explorar isso e oferecer classes que enfatizassem o uso de programas para criação de sites ou revistas on-line e o desenvolvimento dos programas. Outros acreditam que isso acontece porque falta de tentativa de expandir o horizonte tecnológico delas.

Kurt Schleunes, responsável pelo departamento de matemática da escola feminina Marlborough, em Los Angeles, está consternado: mais de 19 mil garotos prestaram exame avançado de ciência da computação, contra apenas pouco mais de 2.400 garotas.

"As mulheres representam menos de um terço dos bacharéis em ciência da computação e informática e só 18% em graus mais avançados'', afirma Ann Pollina, diretora da escola feminina Westover, em Middlebury, Connecticut.

Várias escolas de garotas planejam cursos de ciências da computação, mas os projetos são abandonados por falta de interesse.

Schleunes acredita que a relutância feminina em relação a ciências da computação é uma consequência de um condicionamento social. "Não é bom ignorar o talento de metade da sociedade", afirma. "Nos EUA, importamos cientistas da computação porque não conseguimos o suficiente. Se esse é um campo que preferiríamos dominar, deveríamos desenvolver mais mulheres na área."

Pollina afirma que é a expectativa dos adultos que tem que mudar. "Quando comecei, em 1972, havia três garotas no grupo, que tinha 50 alunos.

Agora há 75% de homens. Isso não teria acontecido se tivéssemos aceitado o que se dizia na época: "Garotos se interessam mais por matemática e garotas gostam de literatura e história".

Pollina afirma que o próximo passo é uma revisão do currículo de computação. Os professores pegam emprestado técnicas para tornar as aulas de matemática mais interessantes. Ela vê as preferências das meninas "como uma forma de estimular o interesse na tecnologia em outras áreas".

O universo pontocom é jovem e volátil o suficiente para receber pessoas com todos os backgrounds. Muitas das garotas que conquistaram seu espaço são céticas sobre o imperativo da programação. Laurie Petersen, vice-presidente do banco de investimento Gruppo, Levey & Company, é uma autodidata dos computadores que construiu uma ponte entre reportagem de jornais e seu atual trabalho em tecnologia. Ela ama a ironia: "Os homens que dominaram a programação fizeram softwares tão acessíveis e inteligentes que as mulheres podem assumir o controle sem ter de aprender conceitos básicos de programação". Para Schleunes, o problema tem um profundo impacto social. "Quem quer entrar na sala de aula com 11 garotos?"

Tradução de Cadu Leite
 

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