18/01/2005
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10h16
A Microsoft está fazendo campanha para marcar uma reunião entre Bill Gates, diretor-presidente da empresa, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da questão do software livre no Brasil, disse a agência "Reuters".
Buscando reduzir gastos, o país tem promovido o software de código aberto, como o Linux, como alternativa ao Windows da Microsoft. O encontro desejado por Gates seria durante o Fórum Econômico Mundial, na próxima semana em Davos (Suíça). Lula já confirmou participação.
O governo federal vem encorajando órgãos a mudar para o Linux ou programas semelhantes para evitar o pagamento de pesadas licenças de uso do Windows.
"O Brasil não ganharia nada com isso [a reunião com Gates], mas a Microsoft, sim", disse Sérgio Amadeu, presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, órgão do Palácio do Planalto. "Eles querem empurrar o Lula na outra direção."
Neste ano, o país tentará fazer com que consumidores privados mudem do Windows também, ao lançar um programa de compra de 1 milhão de computadores "populares" que virão com o Linux e 25 outros programas de código aberto, direcionado a famílias de classe média baixa.
Os esforços da Microsoft para conseguir uma reunião com Lula mostram que a estratégia da empresa com relação ao Brasil está mudando.
No ano passado, a Microsoft processou Amadeu por dizer que a empresa era como um traficante que dá amostras grátis para que as pessoas fiquem viciadas e depois começa a cobrar pelo produto.
Desistiu do processo depois que Amadeu disse que só estava repetindo o que havia lido em livros de economia. Ao mudar do confronto para a conciliação, a Microsoft reconhece a posição do Brasil na "elite digital" do mundo.
A assessoria de imprensa de Lula não confirmou um encontro com Gates. O braço da empresa no Brasil não comentou o tema.
O governo federal entrou formalmente na campanha por programas livres em setembro de 2004. Em um primeiro momento, o Ministério da Educação trocará os seus softwares, o que deve economizar cerca de R$ 5 milhões gastos anualmente com licenças. Segundo a conta do governo federal, existem entre 8.000 e 10 mil computadores em uso nos órgãos do ministério.
Em média, a cada um ano os programas precisam ser atualizados. A licença para isso custa R$ 1.100 por máquina.
Além disso, a adoção do sistema livre permitirá economizar na informatização das 115 mil escolas do ensino médio e fundamental que não têm computadores. Se cada uma recebesse 20 computadores, o custo seria de US$ 230 milhões (R$ 621 milhões) só com softwares.
A medida já vem sendo seguida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e outros órgãos públicos devem aderir ao longo deste governo. Além disso, a Embrapa está disponibilizando na internet os códigos-fonte (conjunto de instruções executadas pelo computador) de programas que criou, para que outras pessoas possam colaborar com o seu desenvolvimento.
O Instituto Nacional de Tecnologia também defende que, como os usuários não têm acesso aos códigos-fonte dos programas privados, as empresas podem instalar aberturas nos softwares que permitam a espionagem industrial e governamental.
Com Reuters
Especial
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Bill Gates quer encontrar Lula em Fórum Econômico Mundial
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da Folha de S.Paulo, em BrasíliaA Microsoft está fazendo campanha para marcar uma reunião entre Bill Gates, diretor-presidente da empresa, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da questão do software livre no Brasil, disse a agência "Reuters".
Buscando reduzir gastos, o país tem promovido o software de código aberto, como o Linux, como alternativa ao Windows da Microsoft. O encontro desejado por Gates seria durante o Fórum Econômico Mundial, na próxima semana em Davos (Suíça). Lula já confirmou participação.
O governo federal vem encorajando órgãos a mudar para o Linux ou programas semelhantes para evitar o pagamento de pesadas licenças de uso do Windows.
"O Brasil não ganharia nada com isso [a reunião com Gates], mas a Microsoft, sim", disse Sérgio Amadeu, presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, órgão do Palácio do Planalto. "Eles querem empurrar o Lula na outra direção."
Neste ano, o país tentará fazer com que consumidores privados mudem do Windows também, ao lançar um programa de compra de 1 milhão de computadores "populares" que virão com o Linux e 25 outros programas de código aberto, direcionado a famílias de classe média baixa.
Os esforços da Microsoft para conseguir uma reunião com Lula mostram que a estratégia da empresa com relação ao Brasil está mudando.
No ano passado, a Microsoft processou Amadeu por dizer que a empresa era como um traficante que dá amostras grátis para que as pessoas fiquem viciadas e depois começa a cobrar pelo produto.
Desistiu do processo depois que Amadeu disse que só estava repetindo o que havia lido em livros de economia. Ao mudar do confronto para a conciliação, a Microsoft reconhece a posição do Brasil na "elite digital" do mundo.
A assessoria de imprensa de Lula não confirmou um encontro com Gates. O braço da empresa no Brasil não comentou o tema.
O governo federal entrou formalmente na campanha por programas livres em setembro de 2004. Em um primeiro momento, o Ministério da Educação trocará os seus softwares, o que deve economizar cerca de R$ 5 milhões gastos anualmente com licenças. Segundo a conta do governo federal, existem entre 8.000 e 10 mil computadores em uso nos órgãos do ministério.
Em média, a cada um ano os programas precisam ser atualizados. A licença para isso custa R$ 1.100 por máquina.
Além disso, a adoção do sistema livre permitirá economizar na informatização das 115 mil escolas do ensino médio e fundamental que não têm computadores. Se cada uma recebesse 20 computadores, o custo seria de US$ 230 milhões (R$ 621 milhões) só com softwares.
A medida já vem sendo seguida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e outros órgãos públicos devem aderir ao longo deste governo. Além disso, a Embrapa está disponibilizando na internet os códigos-fonte (conjunto de instruções executadas pelo computador) de programas que criou, para que outras pessoas possam colaborar com o seu desenvolvimento.
O Instituto Nacional de Tecnologia também defende que, como os usuários não têm acesso aos códigos-fonte dos programas privados, as empresas podem instalar aberturas nos softwares que permitam a espionagem industrial e governamental.
Com Reuters
Especial

