Informática
04/02/2005 - 10h06

Prefeitura de São Paulo vai fiscalizar racismo na internet

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da Folha de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo vai criar, em parceria com entidades que combatem o racismo, um comitê para fiscalizar exclusivamente esse tipo de crime pela internet.

A decisão foi tomada ontem, depois de uma reunião entre o secretário de Participação e Parceria, Gilberto Natalini, duas ONGs dos direitos do negro e duas famílias que foram vítimas de discriminação no mês passado.

A primeira medida será procurar a Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso à Internet) para discutir meios de rastrear a origem de mensagens racistas e, assim, punir os responsáveis pelos crimes.

A idéia é fazer, em menor escala, o que já foi realizado pela Polícia Federal no combate à pornografia infantil pela internet.

"Vamos buscar um entendimento que possa facilitar a identificação da origem dessas mensagens e a repressão", disse Natalini.

Participaram da reunião o secretário, as ONGs ABC Sem Racismo e Instituto do Negro Padre Batista e duas vítimas de racismo. Uma delas é um garoto de 13 anos foi alvo de xingamentos em uma página do site de relacionamentos Orkut.

O outro caso é o do caixa Alexandro Mathias Alves, 27, que disse ter sido agredido e ofendido por um delegado de polícia apenas por ser negro.

Os dois casos já estão sendo investigados. O do garoto de 13 anos foi encaminhado ao Ministério Público, e o outro é objeto de inquérito na própria polícia.

Barrados

Os irmãos William Flores Silveira, 17, e Cristian Norberto Flores Silveira, 24, que no dia 10 foram barrados pela Brigada Militar quando corriam para fazer prova no vestibular da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), apresentaram uma denúncia ao Ministério Público Estadual contra o Estado e tentam um acordo com a universidade.

Detidos, eles só foram liberados após os portões do local da prova serem fechados. A UFRGS, porém, acha, por ora, difícil fazer uma prova somente para os dois.

A advogada da família levou o caso ao Ministério Público alegando que os garotos foram detidos por serem negros. Os jovens foram confundidos com criminosos pela Brigada Militar por estarem correndo, atrasados para o concurso.

A polícia diz que eles estavam em um ponto crítico, onde ocorrem crimes.

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