Informática
16/11/2005 - 09h32

Cúpula esquenta debate sobre controle da web

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JULIANA CARPANEZ
da Folha Online

O debate sobre quem controla a internet deve ganhar força a partir de hoje, quando tem início a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, a ser realizada na Tunísia até sexta-feira. A discussão sobre o tema desagrada os Estados Unidos --país que criou em 1998 o órgão regulador da rede mundial de computadores--, mas se tornou inevitável com a popularização da web.

Este será o principal assunto durante a cúpula, que terá suas mesas de debate ocupadas por Estados Unidos e países que defendem a democratização do controle da internet --entre eles Brasil, China, África do Sul e nações européias.

Caso o projeto de um fórum internacional se concretize, as nações terão voz mais ativa nas decisões relacionadas à web --atualmente este controle é feito pela Icann (Corporação da Internet para Nomes e Números Designados, em inglês), órgão sob responsabilidade do Departamento de Comércio norte-americano.

Mudanças

O novo modelo estrutural diminuiria a insatisfação de países que se vêem prejudicados por decisões unilaterais. Recentemente, por exemplo, o Brasil discordou do prazo de dois meses dado a empresas do setor para criar domínios ".travel". A partir daí, pessoas mal-intencionadas podem utilizar termos ainda não registrados para criar páginas indevidas --como "Copacabana.travel" para um site ligado à prostituição.

"No Brasil, o Comitê Gestor da Internet só libera nomes de marcas, cidades e Estados para aqueles que têm direitos sobre eles. Isso evita o uso de termos legítimos para promover sites ligados à pirataria e comércio ilegal, por exemplo", diz Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.

Balanço

Além de discutir o controle da web, os participantes desta segunda fase da cúpula --a primeira foi em Genebra, em 2003-- vão avaliar se os pontos discutidos há dois anos foram colocados em prática. Na primeira etapa do evento, as nações falaram principalmente sobre a criação da sociedade da informação para todos.

Dados recentemente divulgados pela União Européia mostram que a concretização deste objetivo ainda pode estar distante. No continente onde 47% das pessoas têm acesso à web, a porcentagem de incluídos digitais varia drasticamente entre os países --enquanto 82% dos dinamarqueses usam a internet, 20% dos gregos fazem o mesmo.

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