Informática
29/06/2007 - 09h58

Apple inova ao unir MP3, telefone, câmera e internet com qualidade

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DENYSE GODOY
da Folha de S.Paulo, em Nova York

O iPhone, aparelho fabricado pela Apple que congrega telefone celular, iPod (tocador de músicas e vídeos), agenda, câmera fotográfica e navegador para internet, foi concebido para ser revolucionário, e quem tenta enxergar por meio da nuvem de histeria que se formou em torno do seu lançamento, hoje, nos EUA --propaganda maciça na TV, nas ruas, e filas para comprá-lo desde segunda-feira--, diz que boa parte do barulho se justifica.

AP
Aparelho-sensação da Apple começa a ser vendido hoje nos EUA
Aparelho-sensação da Apple começa a ser vendido hoje nos EUA

"Steve Jobs [CEO da Apple] percebeu duas coisas. Primeiro, que muitas pessoas estavam usando seus telefones para ouvir música. Segundo, que a maioria dos celulares no mercado era muito ruim em executar essa tarefa. Então, já que não podia inventar o telefone inteligente (com múltiplas funções), porque ele já existia, Jobs resolveu reinventá-lo", explica Tim Bajarin, diretor da consultoria Creative Strategies.

É exatamente o que sempre se espera da Apple. Quem desembolsar US$ 499 (R$ 968) pela versão com 4 GB de memória ou US$ 599 (R$ 1.162) pela de 8 GB leva de lambuja o status de ser moderno e sofisticado sem arrogância ou complicação.

Como a companhia atingiu tal grau de inovação, a pergunta que se coloca é: e agora, para onde ela vai? Já é grande a expectativa em torno das futuras versões melhoradas do iPhone --entre os defeitos do atual modelo estão a bateria, que não pode ser trocada pelo usuário, ou seja, é necessário enviar o aparelho para a fábrica, e a falta de uma câmera de vídeo.

Jobs se recusa a comentar o futuro, mas todos se lembram de que ao iPod inicial seguiram-se outros menores e com mais memória. "Não apenas o aprimoramento do iPhone é o desafio da Apple neste momento. Ela precisa também reduzir seu preço para torná-lo mais acessível", diz Bajarin. Porque, embora o produto tenha grande apelo entre os fãs da marca, pode não conseguir penetração em um público mais amplo.

Valorização

Ainda assim, na avaliação de especialistas, a Apple deve atingir a meta de vender 10 milhões de unidades do iPhone até o fim de 2008, o que significa abocanhar 1% do mercado mundial para esse tipo de apetrecho.

Nesse cenário, o valor de mercado da empresa cresce, turbinado pelo fenômeno do iPod, e já está em US$ 100 bilhões. Há um ano, as ações da Apple eram cotadas na casa dos US$ 110; ontem, fecharam a US$ 120,56, e, segundo analistas, podem chegar a US$ 160 em 12 meses. No primeiro trimestre deste ano, ela lucrou US$ 770 milhões, alta de 88% ante o mesmo período de 2006.

A AT&T, maior empresa de telefonia americana, vai ser a única a vender o iPhone por enquanto e também está colhendo os frutos que lhe cabem. Para John Hodulik, do banco UBS, o produto é um dos três fatores a impulsionar as ações da empresa nos próximos 12 meses (os dois restantes referem-se especificamente à administração da companhia).

Em meados de 2006, os papéis da AT&T eram vendidos a US$ 33; ontem, fecharam cotados a US$ 40,74.

 

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