Informática
23/10/2007 - 09h06

Governo se dispõe a cortar imposto de telefonia celular 3G

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MARCELO NINIO
da Folha de S.Paulo, em Genebra

A chegada ao Brasil da telefonia celular de terceira geração (3G) poderá cortar quase pela metade os custos para os usuários de aparelhos pré-pagos, que são 80% do mercado no país.

Ueslei Marcelino/Folha Imagem
Negociações com as operadoras de telefonia já estão em andamento, diz ministro Hélio Costa
Negociações com as operadoras de telefonia já estão em andamento, diz ministro Hélio Costa

Isso deve ocorrer porque o governo está disposto a abrir mão dos impostos recolhidos das empresas que vencerem o leilão para a venda de 44 licenças de 3G --o edital será publicado hoje-- em troca de investimento em infra-estrutura.

Segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, as negociações com as operadoras de telefonia já estão em andamento e têm o objetivo de reduzir os custos do pré-pago, além de ampliar a rede.

As empresas que comprarem as 44 licenças de 3G, que serão divididas em 11 áreas de atuação, terão que se comprometer a levar a telefonia móvel ao interior do país. Costa prevê que a rede de telefonia celular seja estendida a 100% do território nacional até junho de 2009 --hoje está em dois terços dos 6.000 municípios do país.

"O Brasil tem um custo muito alto no telefone pré-pago. Por essa razão, fica com uma utilização muito pequena", afirmou o ministro. "Queremos reduzir o preço do pré-pago para aumentar a utilização." Dos 112,7 milhões de celulares atualmente em uso no Brasil, 90 milhões são pré-pagos.

Hélio Costa está em Genebra para a Conferência Mundial de Radiodifusão, que foi aberta ontem e, durante um mês, discutirá temas controversos, como rádio digital, definição de freqüências e uso de satélites.

O deputado Walter Pinheiro (PT-BA), membro da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Informática e Comunicação da Câmara, que também faz parte da delegação brasileira, estimou entre 40% e 42% a carga de impostos que incide sobre as operadoras de telefonia.

"Avaliamos que com essa investida em infra-estrutura e o aumento considerável de serviços com que as empresas poderão arrecadar, uma proporção boa para reduzir os preços dos serviços seria nessa faixa, de 40% a 42%. Elas [as empresas] vão ter benefícios porque vão ampliar consideravelmente o mercado", disse Pinheiro ao lado de Hélio Costa, que concordou com o raciocínio, mas fez uma ressalva.

"O principal imposto que incide sobre o pré-pago é o ICMS, que é um imposto estadual. Então isso tem que ser negociado com os secretários de Fazenda dos Estados", disse o ministro. "Evidentemente que o governo federal pode fazer uma negociação desse tipo. Tanto no nível federal como no estadual, reduzindo o imposto, você já começa a melhorar o preço do pré-pago."

 

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