Yahoo! chega a acordo em processo por prisão de chineses
da France Presse, em San Francisco
O Yahoo! chegou a um acordo no processo civil que responde por ter fornecido informações pessoais sobre dissidentes chineses às autoridades da China.
O acordo, cujos detalhes são confidenciais, foi divulgado ontem depois de uma interpelação no Congresso dos Estados Unidos dos dois mais altos funcionários do Yahoo!: o presidente do grupo, Jerry Yang, e o vice-presidente, Michael Callahan, que tiveram que dar explicações sobre o caso em 6 de novembro passado.
O jornalista chinês Shi Tao foi condenado em abril de 2005 a 10 anos de prisão por ter divulgado segredos de Estado, depois de ter feito circular na internet uma ordem do governo chinês na qual proibia os meios de comunicação de comemorarem o aniversário da repressão do movimento pró-democrático de Tiananmen, em 1989.
A polícia chinesa chegou a Shi graças a informações cedidas pelo Yahoo!. Seus diretores, no entanto, disseram que foram obrigados a agir desta forma devido à legislação da China.
Pelo menos quatro dissidentes foram condenados à prisão pelas informações fornecidas pelo Yahoo! às autoridades chinesas, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras.
Na sexta-feira passada, o vice-presidente executivo do Yahoo!, Michael Callahan, apresentou suas desculpas em uma carta enviada ao comitê de investigação do Congresso americano sobre o papel do grupo na prisão do jornalista chinês Shi Tao.
A comissão para Assuntos Internacionais da Câmara de Representantes considerou que os dirigentes do Yahoo! omitiram voluntariamente certas informações na audiência de fevereiro de 2006 e os convocaram novamente nesta terça-feira.
"O Yahoo! afirma que é só uma história de mal-entendidos. Sejamos claros: não houve mal-entendidos. Esta foi uma atitude, no mínimo, negligente e, no pior dos casos, decepcionante", afirmou na semana passada Tom Lantos, presidente da comissão parlamentar responsável pela investigação, na abertura da audiência.
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