Informática
04/01/2008 - 14h30

USP prepara arquivo digital que revela postura anti-semita do Brasil no Holocausto

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FELIPE MAIA
da Folha Online

O Leer (Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação), vinculado à USP (Universidade de São Paulo), planeja lançar até julho um banco de dados na internet com documentos sobre o Holocausto do ponto de vista brasileiro. Segundo os pesquisadores, os documentos revelam uma postura anti-semita do Brasil durante o período.

Os dados foram coletados em fontes como o Arquivo do Itamaraty, a Biblioteca Nacional, o Fundo Dops, além de dados retirados de bibliotecas de Portugal, França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e Israel.

De acordo com a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do projeto, apenas no arquivo do Itamaraty foram coletados mais de 10 mil documentos, que desde dezembro estão sendo digitalizados.

Segundo a pesquisadora, que iniciou a coleta desse material em 1984, a intenção é permitir que os internautas conheçam melhor a posição brasileira diante do Holocausto, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-45) e de Eurico Gaspar Dutra (1946-51).

Os arquivos mostram que o governo Brasileiro negou vistos de entrada a muitos judeus apátridas de diversas nacionalidades que tentavam fugir da Europa.

A pesquisadora afirma também que o Brasil preparou diversos dossiês com conteúdo anti-semita, alguns deles inclusive de autoria de ministros. Eles pedem "medidas repressivas" contra a entrada de judeus no país.

Há também documentos emitidos por diplomatas brasileiros no exterior, que detalham o cotidiano de cidades como Berlim e Hamburgo durante a vigência do regime Nazista, nas décadas de 30 e 40.

Facilidade de acesso

"Estas informações já estão em domínio público, mas as pessoas desconhecem a posição do Brasil diante desse assunto. Queremos também ressaltar o papel de vários diplomatas brasileiros que ajudaram a salvar judeus, acionaram associações e conseguiram trazer muitos para o Brasil. A idéia é fazer uma galeria dos 'justos", afirma Tucci.

Na página também estarão disponíveis vídeos com depoimentos de sobreviventes do holocausto e também dois novos documentários produzidos pela TV USP. A idéia é também localizar, registrar e entrevistar os sobreviventes dos campos de concentração e os refugiados radicados no Brasil.

O site será colaborativo. Ou seja, os internautas que tiverem fotos de arquivo ou documentos pessoais sobre o assunto poderão enviá-las para o Leer. Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail leer@usp.br.

O portal ficará hospedado no site do Leer e deve estar disponível a partir de julho deste ano. A proposta é que em um prazo de dois anos o site esteja completo. Para o projeto, o instituto recebeu financiamento inicial da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), mas está em busca de outros patrocinadores.

Comentários dos leitores
edu ribeiro (13) 05/01/2008 09h01
edu ribeiro (13) 05/01/2008 09h01
É realmente necessário esse trabalho. Passar a limpo a história recente deste país, ver que não somos tão cordiais quanto pensamos e ver que o nazismo encontrou (bons) ecos por aqui não faz mal a ninguém. Doa a quem doer. 1 opinião
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Dagoberto Amorim Amorim (1) 04/01/2008 23h13
Dagoberto Amorim Amorim (1) 04/01/2008 23h13
Como é que se pode ainda cultuar solidariedade a um povo que sofreu perseguição com a guerra no passado e não aprendeu nada com ela. Agora eles de perseguidos no passado, agora são perseguidores e massacradores do futuro. Os rebeldes Palestinos dão um tiro de revolver, Israel dá um de canhão, os Palestinos dão um de canhão, Israel dá outro de foguete teleguiado que destroi uma vila inteira. O que é isso? O que vamos fazer? Ao invés de mostrar o quão sofreram, poderiamos mostrar tambem o quão fazem sofrer. Quam vai ajudar os desabrigados, os velhos e as crianças da Palestina? Israel é quem não vai. 22 opiniões
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Roberto Costa V. (1) 04/01/2008 22h31
Roberto Costa V. (1) 04/01/2008 22h31
SAO PAULO / SP
Parabéns a USP! É sem sobra de dúvidas algo de suma importância para o nosso país essa pesquisa. Já sofremos tanto com a ocultação de algumas informações, seja na era da ditadura seja nessa democracia que temos, que nós merecemos saber o que foi do nosso passado. 8 opiniões
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