Informática
02/02/2008 - 17h30

Protesto a favor do Counter Strike leva 30 pessoas à av. Paulista

THIAGO FARIA
da Folha Online

Cerca de 30 pessoas participaram na manhã deste sábado (2) de uma manifestação contra a proibição da venda do game Counter Strike. O protesto, que começou por volta das 11h, aconteceu no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), localizado na avenida Paulista, em São Paulo.

A venda dos jogos Counter Strike e EverQuest foi proibida por decisão de um juiz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais em outubro e começou a ser cumprida em meados de janeiro, em Goiás, pelo Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor).

Thiago Faria/Folha Imagem
Realizada no vão do Masp, manifestação quase não chamou a atenção de quem passava pela avenida Paulista
Realizada no vão do Masp, manifestação quase não chamou a atenção de quem passava pela avenida Paulista

Jogadores e profissionais ligados ao games aproveitaram o encontro deste sábado para discutir a proibição, que eles consideram errada. Na prática, o que se viu foi mais uma conversa informal sobre a proibição do que um protesto propriamente dito.

Sem palavras de ordem, o protesto não chamou muito a atenção de quem passava pela avenida Paulista, que passa por obras nas calçadas. Bem humorado, o técnico em informática Renan Duarte, 27, foi o único que levou um pequeno cartaz, em que dizia "até minha mãe joga Counter Strike".

Duarte, que administra uma lan house no bairro do Jabaquara, afirmou que a proibição da venda do jogo não afetou o movimento no seu estabelecimento. "Os jogadores encontraram alternativas, como o Battlefield, que também envolve jogo em equipe como o Counter Strike", afirma.

Thiago Faria/Folha Imagem
Único cartaz levado pelos manifestantes; encontro foi conversa sobre proibição do jogo
Único cartaz levado pelos manifestantes; encontro foi conversa sobre proibição

Ele diz que, apesar de violento, o game não influencia os jogadores. "Acho que quem é influenciado por jogos tem problemas psicológicos, não tem problemas só com games, e deve procurar tratamento", afirma.

Pedido

Durante o evento, os participantes reivindicaram que a proibição do game seja revertida. "Não é porque é o Counter Strike, qualquer jogo que fosse banido estaríamos fazendo a mesma coisa", afirma Gustavo Lanzetta, 17, que organizou o protesto e divulgou em seu blog, Liberdade Gamer, criado logo após a proibição do game começar a ser cumprida.

Apesar de afirmar que não joga o Counter Strike, Lanzetta --que tem idade inferior à classificação etária estabelecida para o jogo (18 anos)-- considera a proibição arbitrária e afirma que a medida foi motivada por desconhecimento com relação ao jogo.

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Gustavo Lanzetta, 17, diz que a proibição do game foi por "desconhecimento"
Gustavo Lanzetta, 17, diz que a proibição do game foi por "desconhecimento"

"A proibição vem de certa ignorância, pois não sabem nem como ele é vendido. Ela nem é eficiente porque não precisa comprar o jogo em lojas, dá para baixar [o jogo] pela internet", afirma Lanzetta.

A opinião é compartilhada por Silvana Roxo, 23, estudante de design de jogos digitais na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), que também foi ao Masp para protestar. "[A proibição] vem de pessoas de outra geração, que não cresceram jogando e acham que game é aquela coisa da criança não parar de jogar e ficar só no computador."

A favor

Destoando da grande maioria dos presentes, Alexandra Testa concorda com a proibição da venda do Counter Strike. Ela, que foi à Paulista acompanhar o marido, Ronaldo Testa, 28 --que é contra a proibição--, diz que o jogo é muito violento e acredita que isso seja prejudicial.

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Casal Ronaldo e Alexandra Testa com a filha Alice; não deixariam a filha jogar o CS
Casal Ronaldo e Alexandra Testa com a filha Alice; não deixariam a filha jogar o CS

"As crianças passam muito tempo trancados jogando games violentos e acho que isso não é positivo", afirma Alexandra.

O casal também levou a filha Alice, de apenas 3 anos, e compartilham a opinião de que não deixariam a filha jogar o Counter Strike.

Os jogos

O Counter Strike surgiu como "filhote" de outro game, o Half-Life, no final da década de 90. Sua trama divide os jogadores em equipes. É preciso eliminar os adversários à bala.

Apesar de ser menos conhecido, EverQuest é considerado um clássico. Nos moldes do RPG ("role playing game"), o jogo on-line se passa num mundo fictício com ares de Idade Média. Para os jogadores, esses games servem também como ponto de encontro, numa espécie de rede de relacionamentos com disputas.

Comentários dos leitores
Vasco Mamede (1) 20/07/2008 02h34
Vasco Mamede (1) 20/07/2008 02h34
UBERLANDIA / MG
Ok, então vamos também proibir as novelas, que além da violência apelam descaradamente para a sexualidade. Os filmes também do gênero, programas de TV em geral, afinal todos apela para a sexualidade.
E para ficar ligado na violência é só assistir aos filmes da programação aberta ou paga.
Não fará diferença alguma proibir os jogos.
sem opinião
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Daniel Ghirard (1) 13/07/2008 11h22
Daniel Ghirard (1) 13/07/2008 11h22
TAUBATE / SP
Garanto que com o nível de desenvolvimento tecnológico que existe em nosso país, 3 entre cada 4 meninos que se rendem ao crime possuem um microcomputador e jogam "Counter Strike" após horas de exaustivos estudos em universidades Federais. Realmente... A ordem nacional está sendo comprometida por jogos eletrônicos deste tipo. Graças a Deus existem pessoas preocupadas com nosso bem estar e segurança nesse país...*rs 2 opiniões
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waldemar filho (1) 08/07/2008 18h22
waldemar filho (1) 08/07/2008 18h22
SAO PAULO / SP
Proibição do jogo counter strike mundialmente não é novidade, o próprio eula de aceitação de instalação ja proibe a execução do mesmo em lugares públicos inclusive lan houses, devido ao fato de vários conflitos entre usuários devido a competição em equipes, ' CTS X Terroristas " que aculminou a morte de um americano em boston EUA.
A um espaço aberto para comentários não acho correto proibição de venda e comercialização deste jogo e sim salvo conduto ao EULA que o mesmo indica .
Fico devidamente triste quanto o incentivo a cultura por parte do governo federal que custeia parte do filme "Tropa de Elite " , que mostra nada
alem da verdade em que se combate a violência com vilolência nada diferente do jogo em si.
1 opinião
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