Informática
02/02/2008 - 20h15

Depois da proibição, Campus Party desiste de torneios de Counter Strike

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da Folha Online

A organização do Campus Party suspendeu a realização de campeonatos de Counter Strike no evento, que tem data de início marcada para 11 de fevereiro, em São Paulo. Isso ocorreu por conta de pressão de apoiadores do evento, em lista que inclui órgãos governamentais, em razão de o jogo ter sido proibido no Brasil.

O Campus Party, que acontece na Espanha desde 1997, será realizado entre os dias 11 a 17 de fevereiro no prédio da Bienal do Ibirapuera. O congresso --espécie de acampamento hippie-tecnológico-- tinha entre suas atividades programadas torneios das modalidades Counter Strike 1.6 e Counter Strike Source.

Reprodução
Campus Party nega que tenha sofrido pressão em razão de torneios de Counter Strike; orientação teria partido de advogados
Campus Party nega que tenha sofrido pressão em razão de torneios de Counter Strike; orientação teria partido de advogados

Na quinta-feira (28), o diretor do evento, Marcelo Branco, disse à Folha Online que os jogos seriam mantidos, já que a organização do evento não havia recebido nenhuma orientação de que os torneiros poderiam causar problemas. Segundo ele, o evento custou cerca de R$ 10 milhões.

Na sexta-feira, patrocinadores do evento disseram que iam negociar a presença dos jogos, em razão da proibição.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo fez questão de dizer que era apenas um "simples apoiador" do projeto.

Já o governo do Estado de São Paulo afirmou que estava "atento" ao caso. "Estamos conversando com os organizadores para avaliar se alguma decisão pode ser tomada [em relação ao jogo]." Sua assessoria também quis frisar que o governo estadual era um só mais um "apoiador".

O setor de Comunicação e Marketing da Infraero informou que o patrocínio do órgão ainda está para ser aprovado. O valor, caso a negociação seja concluída com sucesso, será de R$ 100 mil. "Se proibiu-se a distribuição, deve-se proibir também a exibição ou execução [do jogo] para um grande público, como neste caso. Mas a inclusão da Infraero no evento não está certa."

Roberto Andrade, diretor de comunicação e marketing da Futura Networks no Brasil, organizadora do Campus Party, nega que tenha havido pressão por parte dos apoiadores. "Ontem fomos orientados por nossos advogados a suspender os torneios temporariamente e aguardar até que se analise a extensão dessa decisão. Queremos saber se realmente a decisão impede que o Counter Strike seja jogado no evento", diz.

Segundo ele, no período após o Carnaval vai haver uma "intensa movimentação de advogados em torno do assunto". Isso porque associações de gamers prometem entrar na Justiça contra a proibição. Caso a decisão seja revertida até o evento, os torneios serão realizados.

Só para consumo

Fernando de Almeida Martins, procurador da república em Minas Gerais, responsável pela ação que culminou com a proibição dos jogos, afirma que considerou "interessante" a decisão da Campus Party. "Interpreto a proibição da comercialização como proibição do jogo para fins comerciais, o que incluiria inclusive o uso em lan houses. O que estaria de fora é o uso particular", disse ele à Folha Online.

Para o procurador, "caso se promova um evento com patrocinador para o fim de jogar o jogo, há um conflito [com a decisão judicial]".

Andrade, da Futura, afirma que os torneios permanecem suspensos, mas que o uso do jogo não será coibido. Ou seja, os participantes serão livres para jogarem o Counter Strike em seus próprios computadores.

Acampamento nerd

Durante os dias de evento, cerca de 3.000 pessoas vão acampar na área da Bienal do Ibirapuera. Todos os ingressos já foram vendidos, mas ainda uma área gratuita, fora do setor dos "campuseiros".

Apesar do apelido de "nerdstock", como o evento é tratado informalmente pelos organizadores, o Campus Party não tem qualquer tolerância a drogas, bebidas alcoólicas e até tabaco, onde o consumo é proibido.

A idade mínima para participar é 12 anos completos, mas menores de 18 anos devem apresentar autorização dos pais e estar acompanhados por um maior responsável, durante todo o evento.

Esta será a primeira vez que o evento será realizado fora da Espanha. Isso ocorreu, segundo a organização, dada a "importância mundial que o país [o Brasil] ganhou no contexto da nova sociedade em rede" e porque os brasileiros são os "maiores e mais criativos usuários mundiais da internet".

Comentários dos leitores
Fernando Martínez (25) 20/06/2009 05h11
Fernando Martínez (25) 20/06/2009 05h11
Sinceramente esse Juiz não tem a menor noção de que os jogos não causam a violência, que lamentavelmente já faz parte da natureza humana. Vejam por exemplo, o "inocente" desenho animado Tom & Jerry, não existe nada mais violento do que o mesmo e PASMEM! com censura LIVRE, deixando o CS parecer coisa para bebês. Dizer que por causa de um jogo saiu por aí matando gente é mera desculpa de PSICOPATA! Esse tal juiz deveria ser expulso por incompetencia. e acima de tudo, IGNORÂNCIA. sem opinião
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Glauber Felix de Castro (7) 19/06/2009 21h36
Glauber Felix de Castro (7) 19/06/2009 21h36
Eu lembro que na época eu ri da proibição pois não serviria de nada. E assim foi. O jogou continuou sendo comprado e amplamente jogado. E o juiz beócio formado em alguma universidade da Coréia do Norte não conseguiu aparecer também. Não conseguem proibir efetivamente nem o tráfico de drogas e armas quanto mais um joguinho inocente. Só falta agora proibirem Mario Bros com a desculpa de que criança pode sair por aí dando cabeçada em tijolo pra ganhar dinheiro. HILÁRIO, SEU "DOUTÔ"! 6 opiniões
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Saimon Douglas Cavalcante (2) 19/06/2009 18h02
Saimon Douglas Cavalcante (2) 19/06/2009 18h02
Nossa o brasil quase não tem com o que nossos juristas se preocuparem, corrupção, pedofilia, trafico de drogas, desvios de verbas em todas as areas, vão se preocupar com um simples jogo ... admiravel esse juiz ou seja quem for que não tem o minimo de bom senso.,lamentavel 4 opiniões
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