Informática
03/02/2008 - 17h35

Entenda a proibição do Counter Strike no Brasil

da Folha Online

A venda e distribuição do jogo Counter Strike está proibida no Brasil desde outubro do ano passado, em razão de uma decisão de um juiz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais. Foi proibida também a comercialização do game EverQuest, que não é vendido oficialmente no país.

Apesar disso, a medida só começou começou a ser cumprida no dia 17 de janeiro, em Goiás, pelo Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor). Apenas quando o órgão anunciou que iria apreender os jogos é que a proibição foi a conhecimento público.

Reprodução
Venda do Counter Strike foi proibida em outubro, mas o público ficou sabendo apenas em janeiro; autor da ação quer que lan houses sejam proibidas de usar jogo
Venda do Counter Strike foi proibida em outubro, mas o público ficou sabendo apenas em janeiro; EA suspendeu comercialização

Isso ocorreu porque apenas no começo de janeiro o DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor), órgão ligado ao Ministério da Justiça, enviou um ofício aos Procons estaduais e municipais pedindo que os órgãos fiscalizassem a venda e distribuição do Counter Strike.

A decisão do juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz foi tomada em razão de uma ação em que Fernando de Almeida Martins, procurador da República em Minas Gerais, pedia a proibição do jogo. Martins entrou com essa ação na Justiça em 2002.

O magistrado concordou com o embargo em razão de considerar que os jogos "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o Estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado".

Ele proibiu a distribuição e comercialização de "livros, encartes, revistas, CD-ROM, fitas de videogame (sic) ou computador" desses jogos. E estipulou uma multa de R$ 5.000 em caso de infração.

Inicialmente, a empresa EA (Electronic Arts), distribuidora oficial do Counter Strike no Brasil, negou que tivesse sido notificada a respeito do embargo ao jogo. Entretanto, dias depois anunciou a suspensão das vendas dos jogos Counter Strike Source e Counter Strike Anthology.

Em nota, a empresa pediu que os comerciantes tirassem os jogos das prateleiras e os mantenham estocados "até nova instrução". Grandes redes de lojas acataram o pedido da EA, mas o jogo ainda pode ser obtido, de maneira ilegal, na internet.

O texto da decisão do juiz não proíbe claramente o uso do jogo, apenas a venda e a distribuição. Com isso, as lan houses não estariam obrigadas a deletá-los. Mas o procurador discorda dessa análise. "Interpreto a proibição da comercialização como proibição do jogo para fins comerciais, o que incluiria inclusive o uso em lan houses. O que estaria de fora é o uso particular", afirma.

Em protesto contra a proibição, jogadores e profissionais da área de games se reuniram na manhã do último sábado (2), em São Paulo para reivindicar que a decisão seja revogada.

Violência

Tanto Counter Strike quanto Everquest não são novos no mercado. O primeiro é um dos mais populares games da história dos jogos para computador. Surgiu como 'filhote' de outro game, o Half-Life, no final da década de 90. Sua trama divide os jogadores em equipes (terroristas X antiterroristas, por exemplo). É preciso eliminar os adversários à bala.

Apesar de ser menos conhecido, Everquest é considerado um clássico. Nos moldes do RPG ('role playing game'), o jogo on-line se passa num mundo fictício com ares de Idade Média. Uma partida abriga centenas de pessoas de uma vez em disputas quase sem fim.

Comentários dos leitores
Vasco Mamede (1) 20/07/2008 02h34
Vasco Mamede (1) 20/07/2008 02h34
UBERLANDIA / MG
Ok, então vamos também proibir as novelas, que além da violência apelam descaradamente para a sexualidade. Os filmes também do gênero, programas de TV em geral, afinal todos apela para a sexualidade.
E para ficar ligado na violência é só assistir aos filmes da programação aberta ou paga.
Não fará diferença alguma proibir os jogos.
sem opinião
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Daniel Ghirard (1) 13/07/2008 11h22
Daniel Ghirard (1) 13/07/2008 11h22
TAUBATE / SP
Garanto que com o nível de desenvolvimento tecnológico que existe em nosso país, 3 entre cada 4 meninos que se rendem ao crime possuem um microcomputador e jogam "Counter Strike" após horas de exaustivos estudos em universidades Federais. Realmente... A ordem nacional está sendo comprometida por jogos eletrônicos deste tipo. Graças a Deus existem pessoas preocupadas com nosso bem estar e segurança nesse país...*rs 2 opiniões
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waldemar filho (1) 08/07/2008 18h22
waldemar filho (1) 08/07/2008 18h22
SAO PAULO / SP
Proibição do jogo counter strike mundialmente não é novidade, o próprio eula de aceitação de instalação ja proibe a execução do mesmo em lugares públicos inclusive lan houses, devido ao fato de vários conflitos entre usuários devido a competição em equipes, ' CTS X Terroristas " que aculminou a morte de um americano em boston EUA.
A um espaço aberto para comentários não acho correto proibição de venda e comercialização deste jogo e sim salvo conduto ao EULA que o mesmo indica .
Fico devidamente triste quanto o incentivo a cultura por parte do governo federal que custeia parte do filme "Tropa de Elite " , que mostra nada
alem da verdade em que se combate a violência com vilolência nada diferente do jogo em si.
1 opinião
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