Informática
05/02/2008 - 12h43

Oferta da Microsoft põe Yahoo! em encruzilhada, dizem analistas

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da Associated Press, em San Francisco

A oferta de US$ 44,6 bilhões feita pela Microsoft parece ter deixado o Yahoo! em uma encruzilhada: aceitar a proposta de um grande rival ou procurar outras alternativas arriscadas, como pedir ajuda de um outro forte concorrente, o Google, afirmam especialistas.

Por enquanto, o Yahoo! anunciou apenas que vai analisar "cuidadosamente" a oferta e que esse processo pode levar "algum tempo". Entre as opções, está manter a empresa independente.

Kimberly White/Reuters
Para analistas, dificilmente Yahoo! terá condições de recusar a proposta da Microsoft; acordo com o Google não está descartado
Para analistas, dificilmente Yahoo! terá condições de recusar a proposta da Microsoft; acordo com o Google não está descartado

"No fim das contas, eu não acho que eles [o Yahoo!] não vão poder rejeitar a Microsoft", afirma o analista Peter Falvey, da consultoria Revolution Partners.

Mas se o Yahoo! recusar a oferta da Microsoft, especialistas afirmam que provavelmente a empresa terá de "engolir o orgulho" e firmar uma parceria com o Google na área de publicidade --isso se um possível acordo como esse for aprovado por órgãos reguladores de comércio.

Nesse panorama, o Yahoo! iria permitir que o Google administre o site de busca da empresa, aderindo a uma enorme lista de outros sites que recebem uma comissão do Google por parte do faturamento gerado pelo sistema.

Mas apenas o acordo com o Google não seria suficiente para acalmar os acionistas e encorajá-los a recusar a oferta da Microsoft, afirmam os analistas. O valor oferecido pela empresa é 62% superior ao preço das ações do Yahoo! na quinta-feira (31), quando toda a companhia tinha valor de mercado de US$ 25,6 bilhões.

Pela proposta da empresa fundada por Bill Gates, os acionistas do Yahoo! poderão escolher se querem receber sua parte no negócio em dinheiro ou em ações da Microsoft. Caso escolham a última opção, eles se tornariam acionistas da empresa de Bill Gates. No total, a Microsoft se propõe a pagar metade em dinheiro e metade em ações.

Para "animar" os acionistas, o Yahoo! teria de pagar um bônus ou até recomprar as ações deles.

Segundo o analista George Askew, da Stifel Nicolaus, comprar essas ações custaria cerca de US$ 20 bilhões ao Yahoo!. Para cobrir esse rombo, a empresa teria de demitir 4.500 empregados (31% do quadro de funcionários), afirma o especialista. Também teria de se desfazer de investimentos importantes, como o Alibaba.com e o Yahoo! Japão

Como a maioria dos analistas, Askew ainda considera que o Yahoo! vai acabar aceitando a proposta da Microsoft. Isso porque a empresa de Bill Gates parece estar disposta aumentar a oferta e tem maior poder econômico que qualquer outro concorrente que planeje entrar na briga.

De qualquer forma, o outro grande interessado no negócio, o Google, está trabalhando de forma agressiva para impedir o acordo. Segundo o site do jornal "The New York Times", a gigante do mercado de buscas vê o acordo como uma tentativa de ataque direto.

A publicação afirma que o executivo-chefe do Google, Eric E. Schmidt, ligou para o executivo-chefe do Yahoo!, Jerry Yang, oferecendo ajuda para afastar a Microsoft.

De acordo com o jornal, lobistas do Google em Washington também já trabalham em uma forma de apresentar uma ação contra o negócio aos congressistas norte-americanos. A idéia é que apenas um prolongamento no processo de aprovação da compra já beneficiaria o Google.

O Comitê Judiciário do Congresso dos Estados Unidos vai analisar o assunto na próxima sexta-feira (8). O órgão vai ouvir especialistas para verificar o impacto do possível negócio sobre o mercado de internet.

Briga aberta

Além do trabalho de bastidores, o Google já demonstrou publicamente seu descontentamento com a possibilidade da venda do Yahoo!. Em um post em seu blog corporativo, a empresa questiona se a Microsoft pode "estender para a internet o mesmo tipo de influência ilegal e inapropriada que mantém sobre os PCs".

Na mensagem, publicada no domingo (3) e assinada por David Drummond, vice-presidente de Desenvolvimento Corporativo e conselheiro jurídico do Google, a companhia afirma que o negócio é "mais que uma simples transação financeira, uma empresa comprando a outra".

"Enquanto a internet premia inovação competitiva, a Microsoft procurou estabelecer monopólios --e então usar sua dominação para novos mercados adjacentes", afirma o executivo.

O executivo-chefe da Microsoft, Steve Ballmer, rebateu as acusações. 'O Google tem claramente uma posição dominante. Eles têm cerca de 75% do mercado mundial de links patrocinados', afirmou. Segundo ele, a compra do Yahoo! estabeleceria a Microsoft como um 'forte segundo colocado' no mercado de buscas, o que aumentaria a competição na área.

Ofensiva

Na proposta enviada ao Yahoo!, a Microsoft deixa claro que seu objetivo no negócio é unir forças para ganhar força no mercado de publicidade on-line.

Em clara referência ao Google, a empresa afirmou: "Hoje o mercado é cada vez mais dominado por um 'player' que está consolidando seu domínio por meio de aquisições. Juntos, Microsoft e Yahoo! podem oferecer uma alternativa confiável para consumidores, anunciantes e editores".

De acordo com a Microsoft, o mercado de publicidade on-line está crescendo rápido --deve passar de US$ 40 bilhões em 2007 para quase US$ 80 bilhões em 2010, nas contas da empresa.

Comentários dos leitores
Jose Carlos Gaspar (27) 30/07/2009 08h36
Jose Carlos Gaspar (27) 30/07/2009 08h36
Infelizmente não temos justiça no Brasil, pois a Microsoft continua com práticas ilegais como embutir seu buscador com padrão nas atualizações automáticas de seus softwares e sistema operacional sem autorização do usuário. Na Europa e EUA já foram condenados por esse tipo de prática, mas continuam usando nos paises do terceiro mundo. sem opinião
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Jean-Luc Erny (1) 15/10/2008 21h37
Jean-Luc Erny (1) 15/10/2008 21h37
Eu acho que não é verdade que comprar Yahoo nunca tenha sido estrégica para a Microsoft. O mundo da computação está vivendo duas revoluções: o desaparecimento das aplicações instaladas no computador para as "online" e a generalização dos softwares livres (que poderiam ser afetados pela primeira revolução também).
Tudo isso se passa também mais recentemente no campo das aplicações professionais (como no campo da saúde).
Todas essas mudanças representam potencialmente muito menos dinheiro para empresas como Microsoft.
O rendimento da propaganda que representa o Yahoo seria muito interessante para a Microsoft que está mudando de fonte de lucro.
Ao contrário, para a Yahoo, seria perigoso uma união com a Microsoft porque essa empresa avança para trás em relação a essas duas revoluções. É por isso provavelmente que o Yahoo recusou a oferta (ou mais precisamente aumentou o preço da compra).
6 opiniões
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Alexandre Lucena (24) 22/05/2008 09h38
Alexandre Lucena (24) 22/05/2008 09h38
Mega Investidor nao existe, é uma criatura criada pelo mercado financeiro, para persuadir o mundo de que existem boas intençoes quando o assunto é dinheiro. Este senhor, como muitos outros fora e dentro do Brasil, nao passam de ESPECULADORES famintos por lucros. Nao sou hipócrita, porque se eu tivesse a mesma FORTUNA BILIONÁRIA que possui este senhor, seria mais um ESPECULADOR INTERNACIONAL.
Afinal, o Bill Gates (Microsoft), este senhor ESPECULADOR, Larry Ellison (Oracle), sao ESPECULADORES que utilizam meios distintos, visando um resultado único: LUCRO $ LUCRO $ LUCRO. Cito estes para dizer o mínimo.
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