Conselho de direitos humanos de SP quer investigação de vídeos do YouTube
da Folha Online
O Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo) vai pedir à Secretaria de Segurança Pública do Estado uma ampla investigação sobre a existência de vídeos no YouTube que fazem apologia da violência e da tortura. O foco é principalmente investigar a suposta participação de policiais militares nesses vídeos. Comunidades do Orkut também devem ser vasculhadas.
O pedido será feito em uma reunião na próxima quinta-feira (14) com o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. O Condepe quer que a delegacia especializada em crimes cibernéticos do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) analise esses conteúdos.
| Reprodução |
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| Cena de "Rota --Chumbo Quente": apologia à violência policial em vídeo presente no YouTube pode ser investigada pelo Deic |
"Queremos que seja feita feita uma investigação completa no YouTube e em comunidades do Orkut. Muitas abrigam mensagens que defendem grupos de extermínio e esquadrões da morte", diz Ariel de Castro Alves, secretário-geral Condepe.
Ele afirma que a instituição quer que os principais investigados sejam os policiais. "São pessoas que exercem uma função pública, que deveriam defender a aplicação da lei", diz.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, a solicitação do Condepe é "desnecessária".
Isso porque, de acordo a secretaria, a PM já havia detectado o problema e "age para resolvê-lo". O responsável pela investigação é o Comandante da Polícia Militar do CPChoque.
"Defunto"
Um dos vídeos considerados problemáticos pelo Condep tem o título "Rota --Chumbo Quente". A produção é uma homenagem à Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e contém fotos de policiais e viaturas durante operações.
Ao fundo, uma música com sons de tiros tem o seguinte refrão: "Sai da frente, lá vem eles minha gente, agora o chumbo é quente e eles têm toda razão. Não fique aí se não quiser virar defunto, ir pra cidade dos pé junto [sic] dentro de um lindo caixão". No fim, há também um texto: "Quando os marginais acham que podem sair e mandar na cidade, nós saímos a caça [sic] pra mostrar quem realmente manda".
Na comunidade do Orkut vinculada ao vídeo, um internauta afirma: "A Rota não executa, apenas recicla a vida dos meliantes, para que seus restos alimentem as plantas... PS: A Rota tem consciência ambiental..."
Segundo Alves, a idéia de pedir a investigação surgiu por um suposto aumento na incidência desse tipo de vídeo do YouTube nos últimos tempos. Ele aponta o filme "Tropa de Elite" como um dos causadores do fenômeno. "O filme mostra em vários momentos uma polícia violenta, o que aumentou a glamurização da violência na sociedade".
O secretário-geral afirma que não entrou em contato com o Google, que é o dono do Orkut e do YouTube, para resolver o problema. Isso porque, segundo ele, o máximo que a empresa poderia fazer é retirar os vídeos do ar, sem revelar os autores das produções.
Procurada pela Folha Online, a empresa informou que, nos termos de uso do YouTube, é proibida a postagem de vídeos considerados violentos, mas que muitas vezes essa linha é muito tênue. Com isso, o vídeo acaba passando imune à verificação realizada pelo site.
De acordo com o Google, caso as autoridades entrem em contato com o YouTube, os filmes serão deletados. Entretanto, para que os dados do usuário sejam liberados, é necessária uma decisão judicial.
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