Maioria dos usuários tem receio de vírus para celular, diz pesquisa
da France Presse, em Barcelona
Depois dos computadores, os telefones móveis com acesso à internet vão se tornar os próximos alvos dos vírus, uma ameaça levada a sério pelo mundo das telecomunicações. Em uma pesquisa divulgada no congresso de telefonia móvel em Barcelona, o fabricante americano de programas de segurança, McAfee afirma que 72% dos usuários se dizem inquietos em relação a esse tema.
O resultado é um tanto paradoxal, já que são mais numerosos (86,3%) os que não conhecem alguém que tenha sido contaminado.
Outra criadora de software de segurança, a russa Kaspersky afirma que se deve agir com moderação. "É um risco do qual é necessário tomarmos consciência, mas não é necessário dramatizar, assustar as pessoas, é um risco que existe e que certamente vai aumentar", diz Emmanuel Forgues, chefe da linha de produtos móveis da Kaspersky, presente em Barcelona.
A principal razão é o aumento esperado das vendas de smartphones, telefones que têm funcionalidades similares às de um PC, com a possibilidade de se conectar a internet, consultar e-mails, dentre outros.
A contaminação por bluetooth é uma das mais freqüentes, apontam especialistas. Isso acontece porque uma vez que o sistema é ativado, o celular se torna visível para as pessoas ao redor (por exemplo, em uma estação de metro), abrindo espaço para o envio de mensagens que podem incluir um vírus.
É o que aconteceu em maio do ano passado na Espanha, quando 110 mil telefones foram contaminados por uma verdadeira "epidemia" do vírus commwarrior, que agia nos telefones que funcionam com o sistema Symbian, como os Nokia.
"Atualmente os vírus que atacam os celulares são pouco numerosos porque os criadores estão mais preocupados em como propagar esses vírus", explica Forgues.
Bernard Ourghanlian, diretor-técnico de segurança da Microsoft na França, reconhece também que "as ameaças são reais no plano técnico" mas que isso "não ameaça tanto a economia do setor".
Roubo de dados
Mais que os vírus, um dos principais problemas, de acordo com ele, é o roubo do telefone, principalmente quando ele está conectado à rede da empresa, que possibilita o roubo de dados.
A empresa franco-britânica de telefonia celular Orange colocou no mercado um sistema que permite localizar arquivos maliciosos. "Com a convergência dos mundos da informática e das telecomunicações, a ameaça vai se tornar cada vez mais séria", indica um porta-voz da empresa.
Ele aponta, contudo, uma boa notícia para os usuários: "O objetivo dos criadores de vírus é que o seu código malicioso se propague o máximo possível" como acontece na internet. "Atualmente, os telefones funcionam com sistemas diferentes e são, por conseguinte, menos vulneráveis", explica.
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