Informática
16/02/2008 - 15h50

Organização confirma Campus Party em 2009, com as mesmas restrições

FELIPE MAIA
da Folha Online

Os organizadores da Campus Party confirmaram neste sábado (16) a realização de uma nova edição do evento em 2009, também em São Paulo. Data e local ainda não foram definidas, mas o certo é que as restrições de horário e consumo de bebidas alcoólicas, uma das principais críticas dos participantes, serão mantidas. A prática de sexo, que o evento nega ter proibido, será liberada.

O megaevento tecnológico começou na segunda-feira (11) e termina neste domingo (17), no prédio da Bienal do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.

Paulo Fehlauer/Folha Imagem
Organizadores confirmam nova edição da Campus Party no Brasil em 2009
Organizadores confirmam nova edição da Campus Party no Brasil em 2009

De acordo com os diretores da feira, a restrição de horário de entrada e saída da feira --durante o evento ficou instituído que, depois da meia-noite, ninguém entra e ninguém sai do prédio do local-- devem ser mantidas por motivos de segurança. Supostamente isso foi adotado em virtude dos ricos registrados no parque do Ibirapuera, onde o evento é realizado.

O consumo de álcool continuará sendo coibido, em razão de a Campus Party permitir a entrada de menores de idade. "A questão é simples. Não pode porque nós temos pessoas maiores de 12 anos aqui. Eu queria poder tomar minha cerveja, minha cachacinha, mas só poderia ter bebida alcoólica se o evento fosse para maiores de 18 anos", afirma o diretor da feira, Marcelo Branco.

O evento também nega que tenha proibido o sexo no "acampamento nerd". "Isso é mentira. Nós distribuímos camisinhas aqui em cima [na área onde estão as barracas] para os jovens. Sexo é bem-vindo", afirma Branco.

Divulgação
Marcelo Branco, diretor da Campus Party, negou que os organizadores tenham proibido sexo durante o evento
Marcelo Branco, diretor da Campus Party, negou que os organizadores tenham proibido sexo durante o evento

No entanto, segundo apurou a Folha Online com dois seguranças do evento (que não quiserem se identificar), a orientação é clara: caso flagrem (ou ouçam) algum ato carnal mais ousado, aciona-se imediatamente a organização. A Campus Party pode até expulsar o "infrator" da festa, dizem os seguranças.

Entre os 3.300 inscritos no evento, 26% são mulheres e 74% são homens. A média de idade é de 23 anos.

Problemas na Bienal

De acordo com Roberto Andrade, diretor de comunicação e marketing da Futura Networks no Brasil, organizadora da Campus Party, a intenção é fazer a feira por pelo menos mais cinco anos.

Segundo ele, a Telefonica, a maior patrocinadora, já demonstrou interesse para isso. A empresa de telefonia entrou com cerca de 40% dos R$ 10 milhões gastos no evento.

A feira está buscando uma solução para fazer novamente o evento na Bienal, mas isso não é certeza. Isso porque, segundo Andrade, fazer o evento ali é muito caro, em razão das adaptações necessárias na infra-estrutura, além do espaço ser considerado pequeno.

A falta de infra-estrutura foi outra grande crítica feita pelos participantes. "A área das barracas é bastante quente pra dormir, os banheiros têm pouca manutenção de limpeza", afirmou à Folha Online, por e-mail, a blogueira Jacqueline Lafloufa.

Data e local definitivos da Campus Party 2009 devem ser definidos em abril.

A expectativa da organização é que o número de "campuseiros" dobre no ano que vem. Neste ano, cerca de 3.300 pessoas se inscreveram na Campus Party (a um preço de R$ 100). Destas, 1.800 ficaram acampadas na Bienal.

A área aberta ao público --grátis-- recebeu uma média de 8.000 visitantes por dia, com exceção da segunda-feira (11), quando o público foi de 3.000 pessoas. No total, a feira espera chegar a 50 mil visitantes até domingo. Esses dados se referem a dados consolidados até a noite de sexta-feira (15).

Interesses

Segundo a organização, o público do Brasil tem preferências e hábitos um tanto diferentes do que foi notado na Espanha, onde o Campus Party é realizado desde 1997. Ao contrário do que era esperado, a tão aclamada conexão de 5 GB não foi utilizada para downloads e sim para uploads. Ou seja, o público preferiu postar conteúdo na rede --por blogs e sites de vídeo, por exemplo-- do que ficar baixando arquivos da internet.

Pela medição dos organizadores, 70% da conexão foi utilizada para uploads e 30% para downloads.

Entre os inscritos, a maioria foi ao evento para a área de software livre, que recebeu 23% dos participantes, seguida por games (16%) e desenvolvimento (15,5%). Depois vêm, pela ordem: música (11%), criatividade (9%), robótica (7%), blogs (6%), modelagem de computadores (5%), simulação (4%) e astronomia (3%).

Ocorrências

Apesar das críticas pela falta de infra-estrutura, os organizadores consideram que o evento transcorreu de forma tranqüila. Segundo a feira, houve quatro furtos durante o evento, dentre eles uma máquina fotográfica, uma mochila e um pen drive. "É bem menos que a Fashion Week", afirma Branco, em referência ao São Paulo Fashion Week, que também é realizado na Bienal.

Desde o início da feira, 225 pessoas foram atendidas no posto médico --136 estavam na área gratuita. Os maiores problemas foram gripe, dores de cabeça e desidratação. Dois participantes tiveram de ser levados ao hospital: um por ter sofrido uma convulsão e outro por crise de gastrite.

 

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