Organização confirma Campus Party em 2009, com as mesmas restrições
FELIPE MAIA
da Folha Online
Os organizadores da Campus Party confirmaram neste sábado (16) a realização de uma nova edição do evento em 2009, também em São Paulo. Data e local ainda não foram definidas, mas o certo é que as restrições de horário e consumo de bebidas alcoólicas, uma das principais críticas dos participantes, serão mantidas. A prática de sexo, que o evento nega ter proibido, será liberada.
O megaevento tecnológico começou na segunda-feira (11) e termina neste domingo (17), no prédio da Bienal do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.
| Paulo Fehlauer/Folha Imagem |
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| Organizadores confirmam nova edição da Campus Party no Brasil em 2009 |
De acordo com os diretores da feira, a restrição de horário de entrada e saída da feira --durante o evento ficou instituído que, depois da meia-noite, ninguém entra e ninguém sai do prédio do local-- devem ser mantidas por motivos de segurança. Supostamente isso foi adotado em virtude dos ricos registrados no parque do Ibirapuera, onde o evento é realizado.
O consumo de álcool continuará sendo coibido, em razão de a Campus Party permitir a entrada de menores de idade. "A questão é simples. Não pode porque nós temos pessoas maiores de 12 anos aqui. Eu queria poder tomar minha cerveja, minha cachacinha, mas só poderia ter bebida alcoólica se o evento fosse para maiores de 18 anos", afirma o diretor da feira, Marcelo Branco.
O evento também nega que tenha proibido o sexo no "acampamento nerd". "Isso é mentira. Nós distribuímos camisinhas aqui em cima [na área onde estão as barracas] para os jovens. Sexo é bem-vindo", afirma Branco.
| Divulgação |
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| Marcelo Branco, diretor da Campus Party, negou que os organizadores tenham proibido sexo durante o evento |
No entanto, segundo apurou a Folha Online com dois seguranças do evento (que não quiserem se identificar), a orientação é clara: caso flagrem (ou ouçam) algum ato carnal mais ousado, aciona-se imediatamente a organização. A Campus Party pode até expulsar o "infrator" da festa, dizem os seguranças.
Entre os 3.300 inscritos no evento, 26% são mulheres e 74% são homens. A média de idade é de 23 anos.
Problemas na Bienal
De acordo com Roberto Andrade, diretor de comunicação e marketing da Futura Networks no Brasil, organizadora da Campus Party, a intenção é fazer a feira por pelo menos mais cinco anos.
Segundo ele, a Telefonica, a maior patrocinadora, já demonstrou interesse para isso. A empresa de telefonia entrou com cerca de 40% dos R$ 10 milhões gastos no evento.
A feira está buscando uma solução para fazer novamente o evento na Bienal, mas isso não é certeza. Isso porque, segundo Andrade, fazer o evento ali é muito caro, em razão das adaptações necessárias na infra-estrutura, além do espaço ser considerado pequeno.
A falta de infra-estrutura foi outra grande crítica feita pelos participantes. "A área das barracas é bastante quente pra dormir, os banheiros têm pouca manutenção de limpeza", afirmou à Folha Online, por e-mail, a blogueira Jacqueline Lafloufa.
Data e local definitivos da Campus Party 2009 devem ser definidos em abril.
A expectativa da organização é que o número de "campuseiros" dobre no ano que vem. Neste ano, cerca de 3.300 pessoas se inscreveram na Campus Party (a um preço de R$ 100). Destas, 1.800 ficaram acampadas na Bienal.
A área aberta ao público --grátis-- recebeu uma média de 8.000 visitantes por dia, com exceção da segunda-feira (11), quando o público foi de 3.000 pessoas. No total, a feira espera chegar a 50 mil visitantes até domingo. Esses dados se referem a dados consolidados até a noite de sexta-feira (15).
Interesses
Segundo a organização, o público do Brasil tem preferências e hábitos um tanto diferentes do que foi notado na Espanha, onde o Campus Party é realizado desde 1997. Ao contrário do que era esperado, a tão aclamada conexão de 5 GB não foi utilizada para downloads e sim para uploads. Ou seja, o público preferiu postar conteúdo na rede --por blogs e sites de vídeo, por exemplo-- do que ficar baixando arquivos da internet.
Pela medição dos organizadores, 70% da conexão foi utilizada para uploads e 30% para downloads.
Entre os inscritos, a maioria foi ao evento para a área de software livre, que recebeu 23% dos participantes, seguida por games (16%) e desenvolvimento (15,5%). Depois vêm, pela ordem: música (11%), criatividade (9%), robótica (7%), blogs (6%), modelagem de computadores (5%), simulação (4%) e astronomia (3%).
Ocorrências
Apesar das críticas pela falta de infra-estrutura, os organizadores consideram que o evento transcorreu de forma tranqüila. Segundo a feira, houve quatro furtos durante o evento, dentre eles uma máquina fotográfica, uma mochila e um pen drive. "É bem menos que a Fashion Week", afirma Branco, em referência ao São Paulo Fashion Week, que também é realizado na Bienal.
Desde o início da feira, 225 pessoas foram atendidas no posto médico --136 estavam na área gratuita. Os maiores problemas foram gripe, dores de cabeça e desidratação. Dois participantes tiveram de ser levados ao hospital: um por ter sofrido uma convulsão e outro por crise de gastrite.
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