Informática
17/02/2008 - 18h22

Na reta final, Campus Party vira programa para família em SP

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FELIPE MAIA
da Folha Online

Enquanto a parte paga da Campus Party já havia virtualmente terminado, o setor grátis tornou-se um "programa família" neste domingo (17), na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. De acordo com a organização, cerca de 5.000 pessoas passaram por ali durante as quatro horas em que a feira funcionou.

Segundo os organizadores, no total, cerca de 50 mil pessoas visitaram a exposição aberta desde que o megaevento tecnológico começou na segunda-feira (11) e terminou na tarde deste domingo.

Não havia fila na entrada, mas dentro do prédio as pessoas esperavam um tempo considerável até ver certas atrações. O que mais atraiu a atenção, principalmente das crianças, foram os estandes que ofereciam computadores para jogos ou distribuíam brindes.

Felipe Maia/Folha Online
Alessandra Ornellas e as crianças na parte grátis da Campus Party; evento foi programa para família neste domingo, em SP
Alessandra Ornellas e as crianças na parte grátis da Campus Party; evento foi programa para família neste domingo, em SP

Alguns visitantes ficaram decepcionados pelo fato de a Campus Futuro, uma das áreas mais interessantes do evento, ter funcionado apenas até as 11h --a feira funcionou das 10h às 14h. Ali estavam atrações como a Reactable --instrumento musical high-tech que emite sons de acordo com o movimento de objetos colocados sobre ele-- e um game de simulação de kung fu.

Segundo a organização, os brinquedos fecharam cedo porque os responsáveis por essas atrações tinham compromissos internacionais e precisaram ir embora.

A analista de sistemas Alessandra Ornellas, 36, que levou os cinco filhos para a área, ficou apreensiva quando foi informada pela Folha Online de que as atrações não estavam funcionando. "Vou ter que dar uma disfarçada para as crianças não perceberem", afirmou.

Flashes

Ao lado do estande da Microsoft e à frente de um touro mecânico montado pela HackerTeen também havia aglomeração. Eram pessoas interessadas em tirar uma foto ou conversar um pouco com um homem de barba branca e longa. O foco das atenções: John "Maddog" Hall, diretor-executivo da Linux International e considerado o guru do software livre.

Felipe Maia/Folha Online
Pessoas se aglomeraram para tirar fotos e conversar com John "Maddog" Hall, o guru do software livre. "Pessoas me vêem como Papai Noel", diz
Pessoas tentam tirar fotos e conversar com John "Maddog" Hall, o guru do software livre. "Pessoas me vêem como Papai Noel", diz

"Ele é um mito, representa muito. O Linux é a revolução. Ele é um herói, exatamente", afirma o estudante Tiago Lopes, 20, estudante de sistemas de informação.

Hall rejeita o título de "estrela". "Eu não sou uma estrela. Eu sempre digo que todas as pessoas que trabalham com software livre são importantes. Eu só tenho que estar em alguns lugares em alguns momentos e talvez porque eu tenho essa barba branca as pessoas me vêem como Papai Noel", diz ele.

Apesar da suposta modéstia, ele não deixa de cutucar a rival e vizinha de estande Microsoft. "Eu gostei de ficar aqui, porque o estande deles não tem filas. Não tem ninguém lá dentro. Olha essa fila, olha quanta gente [esperando para falar com ele]", gaba-se.

Terminou antes

Nos andares superiores, onde funcionou a parte paga da Campus Party, restrita aos cerca de 3.300 inscritos, imperava o silêncio. Não houve programação neste domingo. Grande parte das barracas já havia sido desmontada e alguns poucos remanescentes encaixotavam os computadores instalados na arena.

Felipe Maia/Folha Online
Felipe Leite usou PC para fazer protesto contra proibição do Counter Strike; ele diz ter feito 150 Gbytes em downloads no evento
Felipe Leite usou PC para fazer protesto contra proibição do Counter Strike; ele diz ter feito 150 Gbytes em downloads no evento

Mas alguns participantes resistiam à idéia de ir embora. "Eu ia embora ontem à noite, mas preferi dormir aqui e baixar mais alguma coisa", afirma o estudante Felipe Leite, 18. Segundo ele, com o ponto na conexão de 5 GB disponível no evento ele fez downloads no valor de 150 Gbytes, entre jogos, programas e músicas.

No monitor de seu computador, Leite fez um protesto contra a proibição do Counter Strike. Em uma faixa no equipamento, ele pedia: "Liberem o Counter Strike".

Mas, apesar de a venda do CS ter sido proibida e a organização ter suspendido os torneiros do jogo, diversos participantes da área de games confirmam que foram realizados campeonatos alternativos. "Toda madrugada tinha", afirma o estudante Eduardo Moura, 19.

Gente

Entre os participantes ouvidos pela Folha Online, é praticamente unânime que a interação entre as pessoas foi o ponto mais positivo da Campus Party. Isso não significa, necessariamente, conhecer novas pessoas, já que muitos já estavam em contato pela rede. "Tinha um monte de gente que a gente não conhecia pela internet, mas é mais legal conhecer ao vivo", diz Bruno Moda, 24, que veio de Campo Grande para participar da área de games.

Felipe Maia/Folha Online
Crianças jogam no último dia da Campus Party em São Paulo; organização do evento confirmou uma nova edição para 2009
Crianças jogam no último dia da Campus Party em São Paulo; organização do evento confirmou uma nova edição para 2009

Também há reclamações à respeito da organização do evento. "A parte de segurança foi o pior. Não podemos ser mal tratados. Os procedimentos têm de ser claros, mas aqui o esquema de entrada e saída, por exemplo, muda todo dia", afirma o professor universitário Marcelo Franchin, 43.

O tamanho das barracas, as limitações de horário e a falta de sinalização e comunicação sobre a programação do dia também foram citadas.

Campus Party 2009

Está confirmada a realização de uma nova edição da Campus Party no ano que vem. A data e o local da feira devem ser definidos em abril.

Neste ano, cerca de 3.300 pessoas se inscreveram na Campus Party (a um preço de R$ 100). Destas, 1.800 ficaram acampadas na Bienal.

 

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