Informática
22/02/2008 - 10h28

UE vê com ceticismo anúncio da Microsoft de revelar códigos de softwares

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da Folha Online

O anúncio da Microsoft na quinta-feira (21) de que irá revelar informações detalhadas sobre seus produtos e tecnologias, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento de programas independentes, foi recebido com ceticismo pela UE (União Européia).

Os especialistas do Comitê Europeu para Sistemas Interoperacionais (Ecis, na sigla em inglês) afirmam que a medida da fabricante de softwares não encerra a questão sobre um possível abuso de posição de liderança no mercado por parte da Microsoft, que é acusada de dificultar a operabilidade de seus programas com os da concorrência.

"A comissão considera bem-vinda qualquer medida genuína no sentido da interoperabilidade", afirmaram os especialistas em comunicado. "Contudo, a comissão observa que o anúncio de hoje [ontem] segue outros quatro anúncios anteriores da Microsoft que também ressaltava a importância da interoperabilidade".

A Ecis afirma que o teste verdadeiro para a Microsoft será uma reunião prevista para acontecer na próxima semana. A questão será a compatibilidade dos documentos no formato Office OOXML, que atualmente depende do sistema operacional Windows.

"O mundo precisa de uma mudança permanente do comportamento da Microsoft, não apenas de outro anúncio", afirmaram no comunicado os especialistas da Ecis.

Pressão

O anúncio de revelar informações sobre seus softwares é mais uma etapa da mudança de postura anunciada pela empresa em outubro do ano passado para se adequar as regulamentações antitrustes européias.

Na ocasião, a empresa havia concordado em permitir que fabricantes independentes de softwares tenham acesso à documentação técnica necessária para desenvolver produtos compatíveis com o sistema operacional Windows, uma antiga reivindicação do setor.

Também concordou em pagar uma multa milionária de 497 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão) por ter descumprido determinações da UE nesse sentido.

Em janeiro, uma nova investigação foi aberta em razão de um pedido da produtora norueguesa de navegadores para a web Opera. A investigação tem como objetivo analisar se o vínculo estabelecido entre o browser Internet Explorer e o Windows é legal.

A Opera quer que a Comissão Européia force a Microsoft a separar o Internet Explorer do Windows. Também apela para que o órgão force a Microsoft a seguir "padrões fundamentais e abertos da Web."

Oportunista

Para alguns especialistas, a pressão da UE contou, mas, na prática, valeu o senso de oportunidade da Microsoft. "Essa também foi uma decisão de negócio", afirma Nicholas Economides, professor da New York University. "Parte do mercado pede pela interoperabilidade."

A interoperabilidade é uma tendência que exige dos desenvolvedores de software produtos que "conversem" entre si.

Segundo Maurício Cacique, presidente da Associação de Parceiros da Microsoft no Brasil, a partir de agora, as chances de ganhar novos clientes são maiores. "Estimaria um acréscimo mínimo de 10% no total de clientes que podemos atender com essas novas possibilidades", afirma.

Com informações da Folha de S.Paulo e de agências internacionais

 

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