Informática
01/03/2008 - 20h54

"Teletrabalho" atrai milhares de pessoas no Uruguai

da Ansa, em Montevidéu

O "teletrabalho" se consolida como uma opção de emprego no Uruguai, país líder da América Latina no ranking dessa modalidade. Trata-se neste caso do uso da internet para oferecer serviços e produtos ao exterior, que podem ser tão inusitados como mandíbulas de tubarão e fotos de aves.

Nos últimos anos aumentou em 50% o número de pessoas envolvidas nesse tipo de comércio que ultrapassa as fronteiras e já tem até slogan: "Viver aqui, trabalhar lá, ganhar lá, gastar aqui".

O "teletrabalho" atrai aqueles que, sem deixar de olhar para o exterior, não querem intensificar a hemorragia demográfica sofrida pelo país, que há três anos já tem uma escassa população de 3,4 milhões.

Fonte de renda

Após a crise que afundou o Uruguai em 2002, Manuel Pouso, 31, ficou sem trabalho no ano seguinte, como 20% dos uruguaios na ocasião. Ele começou a fazer vendas pela internet de "produtos nativos não tradicionais", como pedras, antiguidades e caracóis.

Até hoje, Pouso já fez cerca de 300 vendas aos Estados Unidos, Europa e destinos mais "raros", como Hong Kong, Japão ou Cingapura, sendo atualmente sua única fonte de renda.

O "teletrabalho" foi a opção de 100 mil pessoas no Uruguai como fonte de renda única ou complementar em 2007, com rendimento mensais médios de US$ 1.100, segundo uma pesquisas do Grupo Radar.

Na América Latina, o Uruguai "continua sendo o país com mais interesse no 'teletrabalho'", seguido de longe por Argentina, Costa Rica, Equador, Chile, Venezuela e México, de acordo com um relatório da Google Trends, setor da empresa que analisa tendências no mundo.

As cifras apontam que entre 2006 e 2007 a quantidade de pessoas que trabalham apenas para o exterior subiu de 21 mil para 32 mil, e a receita gerada pela atividade aumentou de US$ 190 milhões para US$ 422 milhões.

Ao se digitar "Uruguai" no Ebay.com aparecem 831 produtos à venda. A maioria são ametistas e ágatas, mas há também um mapa de caminhos dos anos 70, selos postais, fotos históricas ou atuais e lã e doce de batata.

Por outro lado, umas das críticas recorrentes é de que esses profissionais carecem de benefícios sociais e estão em uma situação insegura e instável.

 

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