Informática
19/03/2008 - 20h14

Organizações pró-Tibete são alvos de pragas de computador, dizem ativistas

da France Presse, em Pequim

Ativistas internacionais pró-Tibete afirmaram nesta quarta-feira (19) estarem recebendo ataques de pragas de computador por e-mail e trotes por celular. Os grupos estão tentando contatar pessoas dentro do Tibete e em regiões vizinhas para obter relatos de vítimas da violência que eclodiu na região em razão dos protestos contra o domínio chinês.

De acordo com essas essas organizações, as ações prejudicam a comunicação com outras partes do mundo.

"Nós estamos recebendo ataques de vírus vergonhosos, falando de pessoas desesperadas no Tibete. Os e-mails são bem escritos e tem tom emotivo, pedindo que as pessoas abram as imagens", afirma Lhadon Tethong, diretor da organização Students for a Free Tibet, em Nova York.

Tashi Choephel, pesquisador do Tibetan Centre for Human Rights and Democracy, com sede na Índia, afirma que o sistema de e-mail do instituto não pode ser usado em razão dos ataques. "No momento, temos que usar e-mails externos porque nossas contas não estão funcionando. Nós temos que direcionar tudo para e-mails externos", afirma.

A agência France Presse recebeu um e-mail na terça-feira de alguém que afirmava estar na Dinamarca. A mensagem tinha um arquivo em anexo, que o internauta dizia serem fotos de moradores do Tibete mortos a tiros pelo Exército Chinês. Quando a agência tentou abrir a imagem, o sistema anti-vírus mostrou um alerta.

Trotes

Um membro da organização Free Tibet Campaign diz ter recebido ligações a cada dois minutos das 4h às 7h de terça-feira em Londres. "Parecia que a intenção era impedir que eu trabalhasse ou fizesse ligações", afirma Matt Whitticase. Ele afirma que várias pessoas que ligavam tinham "sotaque chinês".

O Tibete vem sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês. Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.

Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão dos tibetanos. Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.

Bloqueio

Desde que começaram os protestos, na semana passada, o governo chinês bloqueou o portal de troca de vídeos YouTube e o site do jornal britânico "The Guardian", após receberem conteúdo sobre os protestos em Lhasa, capital do país.

O site do jornal britânico "The Guardian" foi um dos primeiros a publicar fotos das manifestações em Lhasa, que começaram no dia 10 de março, quando ocorreu o 49º aniversário da malsucedida insurreição de 1959.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca