Informática
07/06/2008 - 08h00

"Comprei o conversor e vi TV digital por um dia", relata aposentado

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DIÓGENES MUNIZ
editor de Informática da Folha Online

Empolgado com o que ouviu falar sobre as belas imagens da TV digital, o ferroviário aposentado José Carlos Lage, 58, da Barra Funda (zona oeste de SP), comprou no fim do mês passado um conversor para receber a TV digital. Optou pelo modelo mais barato, o DigiTV da Positivo --R$ 499, em três parcelas. "Funcionou só um dia", relata.

Num primeiro instante, ele avaliou ser um problema no controle remoto do "set-top box". Comprou pilhas. Nada. Depois, foi incentivado por um vendedor a adquirir uma antena da Philips, "própria para a TV digital". "Compramos por R$ 39. Colocamos no lugar mais alto da sala e conectamos no conversor, como orientaram. Aí [o conversor] parou de funcionar de vez, nem ligava mais a 'luzinha' do equipamento."

Divulgação
Segundo o presidente da Positivo Informática, alguns aparelhos conversores da companhia já precisam ter o sistema "atualizado"
Segundo o presidente da Positivo Informática, alguns aparelhos conversores da companhia já precisam ter o sistema "atualizado"

O aposentado resolveu então levar o produto para a loja, mas os sete dias previstos para a troca já haviam expirado. "Eles disseram também que não tinham mais no estoque." A Positivo suspendeu temporariamente a produção dos aparelhos, alegando ter estoque suficiente para mais "alguns meses".

"Mesmo quando [a TV digital] estava pegando, vários canais não apareciam direito", conta Lage. Sua saga, até onde relatou à reportagem, acaba na assistência técnica, na última segunda-feira (2). Ele entregou o aparelho para o conserto, sem previsão de entrega. "Uma pena, porque a gente que é aposentado acaba ficando na TV, mesmo", lamenta.

Infortúnios digitais semelhantes são relatados por dezenas de consumidores em fóruns da internet. Para algumas pessoas, poucos canais funcionam, por conta das sombras na transmissão ou pela potência irregular dos transmissores. Para outras, nem o conversor funciona.

Segundo Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, a companhia teve "algumas devoluções, mas nada significativo". Ele diz que alguns aparelhos precisam ter seu sistema atualizado, "mas funcionam normalmente".

Juliano Castilho, diretor da área de TV digital do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), defende que o consumidor tenha acesso, no momento da compra, a um mapa padronizado com os problemas que pode enfrentar na recepção.

Sérgio Lima/Folha Imagem
"A indústria não se preparou para vender o conversor", cutuca o ministro Hélio Costa (Comunicação), em entrevista à *Folha Online*
"A indústria não se preparou para vender o conversor", cutuca o ministro Hélio Costa (Comunicação), em entrevista à Folha Online

"O varejo deveria ter os mapas das transmissões, com zonas de sombra [onde o sinal não chega]. Isso já acontece no próprio Japão. Mesmo porque, só vou comprar um negócio se souber que vou levar pra casa e vai funcionar", diz Castilho.

A Philips mantém em seu site um mapa --restrito e contestado por técnicos-- sobre a recepção da TV digital na capital paulista. Nele, a região onde mora o aposentado José Carlos Lage tem sinal "bom".

Segundo ministro das Comunicações, Hélio Costa, a falta de orientação prejudicou os consumidores. "Vendeu-se o conversor, mas não se vendeu a antena UHF. Isso fez um verdadeiro estrago na TV digital brasileira. De repente ficou, parecendo que a transmissão é que é fraca, que há problemas com TV. Quando, na verdade, o problema está entre o vendedor dos aparelhos e o local onde a TV está", afirma.

Comentários dos leitores
Vagner Ornelas (24) 16/11/2009 22h07
Vagner Ornelas (24) 16/11/2009 22h07
A operadora de celular Vivo quebrou a cara ao adotar o padrão CDMA enquanto o mundo já havia adotado o GSM. O Brasil está fazendo igual, ao optar por um modelo de tv digital caro e não global. A única vantagem do modelo brasileiro é a mobilidade. Seria muito mais prático e barato ter adotado o padrão americano ou europeu do que criar um padrao nipo-brasileiro. A pouco tempo comprei um gravador de DVD nos EUA, baratíssimo por 100 dolares e veio com conversor digital americano embutido. Isso que é país desenvolvido. sem opinião
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Olmir Antonio de Oliveira (41) 03/11/2009 20h40
Olmir Antonio de Oliveira (41) 03/11/2009 20h40
A respeito de tv digital. Na europa ou no Usa. É outra extrutura, são culturas bastante diferentes a nossa, mas fundamentalmente a diferença do poder aquisitivo, aqui temos trabalhadores remuneração bem menor, e de agravante temos um custo a nivel de consumidor para tais equipamentos, muito alto, maiores aos de tais países. De modo geral aqui sempre são mais caros, eletronicos, eletrodomesticos, altomóveis.....e chegando a itens de comunicação, computadores..... serviços de internet, adsl, 3g"já se tens iniciativas em alguns estados, mas muito mais caros ainda,quando comparados ao países do chamado primeiro mundo"..... geralmente caros e de qualidade não das melhores. È de se crer que para os niveis mais baixos, para equipamentos mais simples, Tvs, e serviços de internet, os de maior interese popular e ou segundo o dito por governantes, dos falados promotores de direitos, oportunidades...... Seria de se pensar reduzir custos finais. Certo que fomulas e que pode fazer não falta.....Um custo menor e ou sem custos de impostos já seriam bem vindos para as categorias menores, os mais simples, mas que não sejam menos funcionais e ou duradouros...... 1 opinião
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ELIDAL OLIVEIRA (2) 17/09/2009 13h36
ELIDAL OLIVEIRA (2) 17/09/2009 13h36
COMO TV POR ASSINTURA NO BRASIL TEM PREÇO ALTO NA ASSINATURA O MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES TEM QUE DEIXAR QUE OPERADORAS DE TV POR ASSINATURA COLOQUEM EM CADA CIDADE UMA TORRE DE TRANSMISSÃO DE TV DIGITAL TRANSMITINDO MULTIPROGRAMAÇÃO.
TV POR ASSINATURA UTILIZA MUITOS CANAIS E ADAPTAR O CONVERSOR DIGITAL DO APARELHO DE TELEVISÃO ADAPTADO PARA TV DIGITAL PARA TER A FUNÇÃO DE DECODIFICADOR.
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