Informática
05/06/2008 - 09h14

Internet espalha boato sobre internacionalização da floresta amazônica

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da Folha de S.Paulo

Um spam (uma mensagem não solicitada) que vem entupindo as caixas de entrada dos e-mails alerta sobre um plano para transformar a Amazônia em uma reserva internacional, citando como prova um suposto livro ("An Introduction to Geography", de David Norman) adotado em escolas dos Estados Unidos, no qual a Amazônia já aparece separada do Brasil.

O spam traz a "horrorizante tradução" de um trecho do livro, segundo o qual "desde meados dos anos 80 a mais importante floresta do mundo passou a ser responsabilidade dos Estados Unidos e das Nações Unidas", já que os países que a controlavam eram "reinos da violência, do tráfego [sic] de drogas, da ignorância, e de um povo sem inteligência e primitivo".

Reprodução
Inglês macarrônico do spam (uma mensagem não solicitada) revela que o texto certamente não foi escrito por um norte-americano
Inglês macarrônico do spam (uma mensagem não solicitada) revela que o texto certamente não foi escrito por um norte-americano

Esse livro não existe nas bibliotecas norte-americanas: basta consultar o site Worldcat (www.worldcat.org), que faz uma busca simultânea em mais de 10 mil bibliotecas, para constatar que se trata de uma obra fantasma.

Todas as publicações comerciais dos EUA são registradas na Biblioteca do Congresso e tal livro não consta de seus arquivos. Tampouco pode ser encontrado em livrarias como a Amazon e a Barnes&Noble.

Existem vários autores com esse nome --o mais produtivo é um paleontólogo com vários livros sobre dinossauros--, mas nenhum deles escreveu sobre geografia.

O inglês macarrônico da mensagem revela que o texto certamente não foi escrito por um norte-americano. Vários erros (padronização, grafia, concordância) sugerem que o autor da fraude é provavelmente um brasileiro com pouca fluência no idioma.

A própria montagem é tão grosseira que a página 76 do livro, onde aparece o suposto mapa (veja o quadro), fica do lado reservado às páginas ímpares.

Apesar das evidências de fraude, o e-mail se disseminou a tal ponto que chegou a ser reproduzido em um clipping distribuído pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em 2001 --o que obrigou a Embaixada do Brasil nos EUA a apontar a fraude. Apesar disso, o spam circula até hoje.

Comentários dos leitores
paulo cezar (115) 04/07/2009 11h59
paulo cezar (115) 04/07/2009 11h59
"grilagem de áreas protegidas"... só complementando , as terras sendo regularizadas não eram "terras protegidas", eram da união. sem opinião
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paulo cezar (115) 03/07/2009 16h21
paulo cezar (115) 03/07/2009 16h21
Mig, sua opinião é muito radical. A vida não é uma linha reta de causas e consequências amigo. É evidente que uma região com maior presença humana vai aproveitar melhor os recursos e assim "diminuir" a bio-pirataria, acabar com ela, só no dia em que se acabar a busca incessante por lucro fácil.... Sobre seus "grileiros", para mim são desbravadores. Estão certos. O governo não fazia nada com suas terras enquanto pessoas podiam gerar renda com aquele recurso. O governo esta fazendfo agora o que já deveria ter feito há muito tempo, inclusive se tivesse feito teria evitado grilagem. Esta licitando suas terras para que as pessoas possam gerar riquezas nelas ... Quem defende a amazônia como o "deserto" que é , esquece que os recursos ali podem melhorar a vida das pessoas. É lógico que houve pressão dos ruralistas, assim como houve de ONGs, e o resultado dessas forças conflitantes foi uma lei que atende em parte reinvindicações dos dois lados... É necessário explorar os recursos da amazônia, fazendo o possivel para preservar o máximo da fauna e da flora. Não é aceitável deixar ao relento "total" uma riqueza que pode melhorar a vida de milhões. 2 opiniões
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M Mig (1471) 02/07/2009 18h05
M Mig (1471) 02/07/2009 18h05
Caro Paulo Cezar,
O povoamento da Amazônia não evita a bio pirataria, imagine um sujeito, que invadiu um pedaço de terra junto com outros, construiu a sua roça, vai a cidade mais próxima com alguma freqüência... não tem dinheiro, aí... chega um representante de uma industria estrangeira dizendo que quer contratar pessoal para um projeto de "levantamento" de espécies da região. Você acha que o esse individuo vai recusar a oferta?? Claro que não, muitas vezes ele nem sabe que está sendo usado. É assim que a bio pirataria chega a Amazônia.
A Amazonlinks, uma ONG com sede em Rio Branco, faz um trabalho de levar informação a população da Amazônia para tentar quebrar a relação empresas estrangeiras - população amazônica, inibindo assim a bio pirataria.
Voltando ao assunto, o que o governo federal quer e dar um pedaço de terra para os grileiros, legalizando assim a grilagem de áreas protegidas...... quando lula se desculpou alegando estar sofrendo pressão dso ruralistas para sancionar a MP ele já assinou o conhecimento dos malefícios da MP (foi assim como um "desculpa ai gente, mas eu vou cometer mais esse erro").
Outro ponto é possibilidade de venda das terras. Como isso vai beneficiar a Amazônia?? Isso só beneficia latifundiários
Lembrando: "Ruralistas pressionam Lula por MP que regulariza terras na Amazônia".
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