Procon diz que clientes devem ser ressarcidos por falha na rede; Prodesp quer indenização
FELIPE MAIA
da Folha Online
Os clientes da Telefônica que sofreram prejuízos em razão da pane de internet apresentada no Estado de São Paulo podem pedir indenização na Justiça. O Procon notificou a empresa e pediu esclarecimentos sobre o fato, incluindo os motivos do problema, a solução encontrada e o ressarcimento dos internautas que ficaram sem o serviço.
Nesta quinta-feira (3), a Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo) informou que vai pedir uma indenização em razão desses problemas.
Em nota, a Telefônica classifica o "evento técnico" --que ainda não tem explicação-- como "complexo e raro". Informa ainda que uma equipe de técnicos e engenheiros da operadora, juntamente com especialistas internacionais, está trabalhando para detectar o problema.
| Luciano Amarante/Folha Imagem |
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| Poupatempo da Sé tem serviços paralisados pela falha; consumidor deve ser ressarcido por pane, que ainda não tem explicação |
A pane interferiu em serviços essenciais a população, como retirada de documentos, realização de boletins de ocorrência e até bancários. Não há prazo para a normalização do sistema.
O Procon afirma que a empresa deve fazer um abatimento nos valores cobrados dos clientes, em quantia proporcional ao período em que o serviço ficar indisponível.
A instituição informou ainda que os clientes que tiveram prejuízos financeiros ou danos em função da ausência da internet devem recorrer à Justiça contra a Telefônica e pedir indenização.
A Prodesp ainda não definiu o valor se sua indenização, que é dada como certa. "Por mais que a gente entenda que esses problemas acontecem, isso não tem nada a ver com o contrato comercial, [vamos pedir indenização] até para proteger a população de São Paulo", afirmou Leão Carvalho, presidente da Prodesp, à Folha Online.
Segundo ele, a empresa vai calcular o valor com base na extensão que o problema adquirir nos próximos dias. "Em razão do prejuízo, a multa é certa, contratual. A Telefônica sabe disso", afirma.
A Telefônica e a Prodesp mantêm desde 2005 um contrato de R$ 250 milhões para manter a Intragov, rede de comunicação utilizada pelos órgãos do governo do Estado de São Paulo --o problema atingiu metade dos 12 mil pontos de acesso desse sistema.
Carvalho afirma que hoje a Prodesp recebeu apenas 10% e enviou 35% do volume de dados de telecomunicações considerado normal. "Estamos vivendo a exclusão digital [risos]", brinca o executivo.
Sem sistema
A pane na rede da Telefônica prejudicou os registros da polícia de São Paulo desde o começo da madrugada. O sistema on-line para expedição de boletins de ocorrência está fora do ar --a recomendação da secretaria é que o interessado no documento vá até uma delegacia, onde o procedimento está sendo feito de modo manual.
Nos casos de flagrante, os envolvidos têm de esperar na delegacia, em razão de o registro não ser feito manualmente.
Devido ao problema, parte dos serviços do Poupatempo, como emissão de CNHs (Carteira Nacional de Habilitação) e documento de identidade (RG) também foram afetados. Entretanto, nas unidades Sé, Itaquera e Santo Amaro há unidades móveis do Poupatempo em que esses documentos podem ser feitos.
A recomendação é que a população entre em contato pelo telefone 0800-772-3633 antes de ir ao local.
A expectativa da Telefônica é que, até o fim da noite de hoje, as equipes tenham terminado de fazer o rastreamento no sistema, para descobrir as causas do problema.
Segundo a operadora, a rede afetada atende a 'grandes empresas privadas e órgãos de administração pública nos âmbitos federal, estadual e municipal'. A pane gera reflexos nos serviços de banda larga do provedor Speedy, conexões dedicadas (de alta velocidade, utilizadas principalmente por empresas) e outros tipos de acesso.
Prefeitura
A Prodam (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo) informou que a prefeitura de São Paulo também enfrentou problemas de conexão, fazendo com que 40% a 70% das unidades ficassem sem comunicação.
'Entre elas estão as secretarias de Educação, de Finanças, Saúde, Esporte, o acesso ao portal da Prefeitura Municipal de São Paulo e os serviços on-line, como o Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) e 10% das 31 subprefeituras', afirma a empresa, em nota.
E, em razão dos problemas, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu os prazos processuais no Foro Judicial de 1ª e 2ª Instâncias do Estado e na Secretaria do Tribunal de Justiça, a partir desta quinta-feira. A medida vale até que a falha seja solucionada.
Procurada pela reportagem, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) informa que está investigando o assunto.
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