Informática
12/07/2008 - 10h58

Guitarrista usou noções de programação para criar banda de simulação

BRUNO ROMANI
colaboração para a Folha de S.Paulo

O The Guitar Zeros é fruto da mente do guitarrista Owen Grace, 33. No começo de 2007, o programador idealizou uma banda que substituísse guitarras e baixo pelos controles destinados ao Guitar Hero.

Ao contrário daqueles que compram o jogo, a intenção de Grace não era tocar músicas famosas do rock, mas sim criar repertório próprio. Ele convenceu outros três amigos que tocavam guitarra, e a banda foi formada, unida pela excentricidade da proposta.

Bruno Romani/Folha Imagem
Ryan Yount, vocalista do The Guitar Zeros, e Owen Grace, criador do software e guitarrista do grupo; programa reproduz 32 sons
Ryan Yount, vocalista do The Guitar Zeros, e Owen Grace, criador do software e guitarrista do grupo; programa reproduz 32 sons

Grace usou suas habilidades como programador para investigar o brinquedo e transformá-lo em algo que produzisse de fato notas musicais --em vez de apenas interagir com o jogo. Em dois meses, criou um software que batizou de Fretbuzz.

O programa traduz os cinco botões do joystick e suas 32 combinações em som. O botão Select determina em que escala musical a guitarra opera. Assim, o controle passa a ser um sintetizador no corpo de uma guitarra de plástico.

O grupo criou um sistema próprio de tablaturas chamado GRYBO (iniciais em inglês de verde, vermelho, amarelo, azul e laranja, em referência às cores dos botões). Em vez de um dó ou um ré, quem tenta tocar a guitarra aprende a apertar os botões vermelho ou amarelo.

Grande parte do peso da banda vem dos pedais analógicos, destinados a guitarras tradicionais, conectados aos brinquedos. Grace usa phaser, delay e distorções de um Vox e um Fender Twin, uma combinação que deixaria até uma harpa com sonoridade punk.

Sem os efeitos, o computador emula o som de uma guitarra que tem suas cordas abafadas pela mão que utiliza a palheta.

O Fretbuzz não foi feito para tocar cada nota musical de maneira igual. O código possui "janelas" que lêem o mesmo comando de maneira que sintetiza ondas sonoras como se cada uma fosse única, da mesma maneira que acontece em instrumentos de verdade.

As duas guitarras de plástico são conectadas ao computador via adaptador USB wireless -se o micro pára de funcionar, não tem show.

Nos blogs de tecnologia

Com pouco mais de um ano, o The Guitar Zeros chamou mais a atenção da mídia que todas as bandas anteriores dos quatro integrantes juntas. Mas pouco espaço foi dedicado à música. Grace e seus amigos viraram heróis em blogs de tecnologia, mas a música como produto final ficou em segundo plano.

O som da banda é para poucos. Pesado, digitalizado de forma bruta e com poucas melodias palatáveis, o grupo tem aura de banda que vive acorrentada ao underground. Mas isso parece não incomodar os integrantes, que dizem não querer fazer turnês mundiais nem vender milhares de CDs.

As seis músicas de "Hotbird", primeiro disco da banda, podem ser ouvidas no MySpace (www.myspace.com/theguitarzeros).

O vocalista Ryan Yount diz que o grupo não ficará junto para sempre: "Uma hora vamos ficar obsoletos também, como todo videogame".

 

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