Plano de contingência em tecnologia evita panes
ANDRÉ LOBATO
Colaboração para a Folha de S.Paulo
"Villaça, a Telefônica está com problemas. Mas aqui a situação já foi resolvida, impacto zero para os clientes." Essa é a frase que não teria preço para os empresários na lista dos cerca de 2,4 milhões de assinantes do Speedy, da Telefônica, que tiveram o serviço de internet suspenso por 36 horas, entre os últimos dias 2 e 3.
O privilégio de tê-la ouvido foi do diretor de tecnologia da informação da Check Express, Luiz Alberto Villaça, que recebeu a ligação enquanto se reunia como presidente da empresa e continuou tranqüilamente a resolver os assuntos do dia.
Sem um plano de redundância da rede --que consiste em possuir equipamentos e fornecedores duplicados--, essa tranqüilidade seria impensável. Com 50 mil pontos de clientes e milhões de transações mensais, a Check Express faz serviços de crédito, pagamentos e certificações.
"Como usamos dois provedores em tempo real, continuamos o atendimento sem nenhum problema", diz Villaça.
A estratégia de montar um plano de continuidade de negócios (BCP, na sigla em inglês) é, segundo consultores ouvidos pela Folha, a mais adequada para evitar transtornos como o ocorrido no início deste mês.
Para isso, o empresário pode contar com diferentes níveis de segurança. O mais recomendado é que seja feita uma avaliação dos pontos críticos para o funcionamento dos negócios caso o acesso à rede caia. A partir dos diferentes cenários, a empresa deve montar um sistema de redundância.
Além de escolher diferentes provedores, é importante pensar na estrutura da rede. Equipamentos como roteadores e programas que identificam um possível mau funcionamento devem ser obtidos de acordo como plano de continuidade.
Prevenção
"O plano de contingência não é um trabalho para ser feito depois da crise e, sim, antes", ressalta o consultor de segurança de negócios Paulo Beck. Para se prevenir, ele sugere replicar o banco de dados, os principais equipamentos, os servidores e os roteadores. O empresário que quiser enfrentar com sucesso uma situação de crise também não pode deixar de cuidar da gestão.
"As empresas se preocupam muito coma tecnologia, mas se esquecem do essencial: as pessoas e os processos", destaca Alan Scofield, gerente de negócios da Sion People Center.
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