Ministério critica empresas por "falta de musculatura" em projetos de tecnologia
FELIPE MAIA
Enviado especial da Folha Online a Petrópolis
O secretário-executivo do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia), Luiz Antonio Rodrigues Elias, cobrou ontem (5) uma melhoria nos projetos de inovação tecnológica das empresas, para que recebam apoio financeiro do governo. Segundo ele, há dinheiro disponível, mas mais da metade dos projetos apresentados em 2007 não pôde ser aprovada por "falta de musculatura".
Em novembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, também conhecido como "PAC da Ciência". O projeto prevê o investimento de R$ 41,2 bilhões até 2010 nessa área. A intenção é fomentar a produção científica nacional, tanto em instituições de pesquisa quanto nas empresas.
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| Secretário-executivo do MCT afirmou em festival que governo não quer ser "ofertista" |
Entretanto, segundo Elias, grande parte dos projetos não pode ser apoiada pelo governo, por não ter articulação suficiente com instituições de pesquisa ou órgãos governamentais e ministérios.
"Não basta ter uma idéia. É preciso que ela esteja articulada com centros de pesquisa, com instituições do governo, atuar de maneira transversal", disse ele, durante a abertura do 1º FTP (Festival de Tecnologia de Petrópolis), na região serrana do Rio.
Elias, que representava o ministro da pasta, Sérgio Rezende, disse que o governo não quer ser "ofertista" de recursos e cobrou que as empresas também assumam os riscos de investir em inovação tecnológica. "É preciso que as empresas articulem pesquisas de desenvolvimento. Não basta ter a retórica do discurso", disse. "Elas [as empresas] precisam dar uma contra-partida, ser parceiras do governo nesse risco [de investir em tecnologia]".
Do total previsto no "PAC da Ciência", 46% serão desembolsados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e o Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico. O resto virá de outros ministérios, do BNDES e de outros órgãos governamentais.
A meta do plano é aumentar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento dos atuais 1% do PIB para 1,5% em 2010. Entre as medidas está a concessão de benefícios fiscais a empresas que apóiam projetos de pesquisa científica e a ampliação de bolsas de mestrado e doutorado. O objetivo é chegar a 160 mil bolsas em 2010, 70 mil a mais do que as registradas atém o fim do ano passado.
Petrópolis deu início ontem ao seu primeiro festival de tecnologia. O objetivo do evento, que vai até sábado (9), é reunir "cérebros" da área para discutir o assunto de maneira ampla, da robótica à medicina, passando pela arte digital --faz parte de um plano para tornar a cidade um pólo de tecnologia no país.
O repórter viajou a convite do Movimento Petrópolis-Tecnópolis
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