Com Chrome, Google quer dar "sexto sentido" a navegador
FELIPE MAIA
da Folha Online
Com o Chrome, navegador de internet lançado nesta terça-feira (2), o Google tenta adivinhar onde o usuário quer ir. O browser oferece logo na página principal links para os sites mais acessados, as páginas da lista de favoritos utilizadas freqüentemente e as palavras-chave mais digitadas --esses dados são atualizados de acordo com o uso.
No desenvolvimento do programa, o Google também optou por fundir as barras de endereço e de buscas. Quando o usuário começa a digitar algo, o navegador já reconhece se aquele é um site ou uma palavra-chave --na configuração do software é possível escolher o sistema de buscas padrão, que não precisa ser necessariamente o Google.
Feito em código aberto, o Chrome também pula uma etapa em qualquer busca que o usuário queira fazer na internet. Caso o internauta já tenha utilizado o sistema de buscas de um site, para fazer uma nova procura basta digitar o endereço do site na barra do navegador, apertar a tecla "tab" e digitar a palavra-chave.
Para buscar por iPhone 3G no Google, por exemplo, basta digitar www.google.com.br, apertar "tab" e depois iPhone 3G. O navegador faz a pesquisa automaticamente.
"A intenção é utilizar a intuição da navegação. Levar o usuário onde ele quer ir e mais rápido", afirma Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil.
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| Na página principal, programa mostra sites mais visitados pelo usuário, para agilizar acesso |
O programa é uma espécie de Firefox melhorado, principalmente em relação às abas de navegação, que ganham "vida própria". Cada uma roda em um processo separado da outra: se uma trava, é possível desativá-la sem afetar o funcionamento das outras --algo semelhante ao que ocorre com os programas no gerenciador de tarefas do Windows
A idéia é que o usuário não tenha de reiniciar o browser a cada vez que o programa trava. O programa também lista as abas abertas recentemente, para facilitar a reabertura das páginas, caso elas sejam fechadas acidentalmente.
No escuro
O navegador também incorpora o sistema de "janela anônima", que não registra os rastros dos internautas na rede --as páginas pesquisadas não entram no histórico, os cookies não são armazenados, nem as palavras digitadas em formulários.
Um recurso que o Google julga ser útil para manter a privacidade na internet, mas que também pode ser utilizada por crianças e adolescentes para esconder dos responsáveis as suas ações na rede.
"Qualquer criança que saiba mexer em qualquer browser vai poder esconder suas ações na rede. O monitoramento do que a criança faz na rede não se faz pelo navegador, mas sim por outros softwares, que vão continuar podendo fazer esse controle", afirma Marcelo Quintela, gerente de produto do Google.
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| Em novo navegador, abas ficam logo no topo, acima da barra de buscas, para facilitar navegação |
Sem corrida
O Google coloca mais um pé no negócio da Microsoft, dona do Internet Explorer. Entretanto, a empresa de internet terá que superar o mesmo obstáculo da Fundação Mozilla, dona do Firefox: produzir um bom navegador, mas ter de concorrer com um que já vem instalado em qualquer computador com Windows.
Até agora, o Internet Explorer é o mais utilizado para acesso à internet. Em julho, o programa foi utilizado para 90,7% dos acessos à rede no Brasil, contra 8,2% do Firefox. Outros navegadores tiveram em julho 1,03% dos acessos.
Fiel a um de seus maiores bordões, "Don't Be Evil" (algo como "não seja mau"), o Google nega que esteja em uma "corrida dos browsers". "Não temos visão de competição. Não queremos competir com a Microsoft e continuamos colaborando com a Fundação Mozilla", afirma Ximenes.
O Google aposta que a "força" de sua marca já seja possível para estimular os usuários a baixarem o programa. A empresa já colocou um link na sua página de buscas, a mais utilizada do mundo, para direcionar os usuários para download.
Por enquanto, o programa está disponível apenas para Windows. No futuro, devem existir versões para Mac e Linux.
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