Informática
07/10/2008 - 11h27

Crise mundial deve fazer preço do computador subir até 15%

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FELIPE MAIA
da Folha Online

A alta recente do dólar, em razão da crise no mercado financeiro, deve fazer com que os fabricantes de computadores reajustem os preços entre 10% e 15% já no fim de outubro. A previsão é da consultoria IDC, que já cogita revisar para baixo as expectativas de vendas de PCs para este ano.

O valor da moeda norte-americana tem impacto direto sobre os preços de computadores, mesmo no caso de máquinas fabricadas no Brasil. Isso porque grande parte dos componentes (entre 70% e 80%, segundo o IDC) são importados.

Sergei Karpukhin/Reuters
Com crédito prejudicado e alta do dólar, vendas de computadores podem ser menores que o esperado neste ano, abaixo da marca de 13 milhões
Com crédito menor e alta do dólar, vendas de computadores podem ser menores que o esperado neste ano, abaixo dos 13 milhões

"Esse aumento vai ser, sim, repassado ao usuário, talvez não em sua totalidade, mas certamente haverá aumento de preços", afirma Luciano Crippa, analista de mercado da consultoria.

Divergência

Nesta segunda-feira (6), o dólar comercial fechou cotado em seu maior nível desde 25 de setembro de 2006, a R$ 2,198 para venda, uma alta de 7,42% sobre a cotação de sexta-feira (3).

Por isso, Crippa recomenda que as pessoas que planejam adquirir um PC, e estão em condições disso, antecipem o momento da compra. "O melhor é comprar agora, porque os varejistas estão com um estoque feito quando o dólar estava entre R$ 1,65 e R$ 1,70", diz o analista.

A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) é mais cautelosa e indica que é "loucura" fazer qualquer previsão sobre preços neste momento, em que os indicadores de mercado ainda oscilam muito.

"O dólar tem um movimento que acompanha todo o pânico do mercado. Temos que dar um tempo para ver onde a coisa se estabiliza", diz Hugo Valério, diretor da área de informática da Abinee. "Não dá para [o fabricante] ficar tomando decisão agora."

Ele recomenda que o consumidor não altere seus planos em razão da crise. "As pessoas devem continuar levando a vida como se nada tivesse ocorrendo. Não há nenhum indicador de que vá acontecer algo grave no Brasil. Não é o pior dos mundos", diz Valério.

Vendas

Em razão da crise, a IDC já cogita rever a expectativa de vendas de computadores para este ano. Inicialmente, a estimativa era que o país fechasse 2008 com 13 milhões de máquinas vendidas, o que faria do país o quarto maior mercado de PCs do mundo, ultrapassando o Reino Unido. O resultado representaria uma alta de 30% em relação a 2007.

Entretanto, a diminuição da oferta de crédito e o aumento nos juros, causados pela crise internacional, podem alterar esse cenário. O crescimento desse mercado no Brasil nos últimos anos foi calcado na desoneração fiscal, queda do dólar e aumento do crédito e dos prazos de pagamento. Com a crise, dois desses pilares estão em risco.

De acordo com Crippa, as vendas de PCs para este ano e em 2009 dependem do nível em que o dólar vai se estabilizar. "Se o dólar estacionar acima dos R$ 2, haverá uma diminuição maior do crédito e teremos de fazer uma revisão [para baixo] mais cautelosa para as vendas", diz. "Se ficar até R$ 2, não devemos revisar para muito menos. O impacto deve ser menor."

Comentários dos leitores
Fernando Andrade (14) 04/07/2009 13h52
Fernando Andrade (14) 04/07/2009 13h52
Marolinha
O povo brasileiro não sabe o poder que tem. Leio muitos comentários aqui passando a ideia de que nós estamos sofrendo com a crise, que é muito mais do que o presidente Lula falou, que estamos numa pior..enfim. Claro que estamos sendo afetados pela crise, quem não está? Mas essa crise é muito mais psicológica do qualquer outra coisa para nós. Podemos sair dele numa boa e estamos nos virando bem, quer queiram ou não! O povo brasileiro (de verdade) mudou após a era Lula. Esses sim são sinais claros de que devemos acreditar no Brasil. Não um bando de pessimistas que gostam de menosprezar o Brasil.
O que falta realmente é um povo unido para juntos combatermos a desigualdade social, melhoramos a educação e criarmos o alicerce para que este país seja um lugar melhor para se viver. Parem de criticar e apresentem soluções!!!!
sem opinião
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M Mig (1471) 03/07/2009 15h00
M Mig (1471) 03/07/2009 15h00
Ontem ouvi no rádio um jornalista que fala sobre o mundo automotivo dizer que não houve tsunami e nem marola por que o brasileiro continua comprando carros. Ora, um habito comum ao brasileiro é a ostentação, para isso muitos se endivida para adquirir bens que não são compatíveis com seu nível de vida. Esse fenômeno podemos observar principalmente com três bens de consumo:
-Roupas e calçados: O sujeito ganha mil e quinhentos reais, mas ele tem um tênis que custa seiscentos reais.
-Celular: A pessoa economiza até em sua alimentação, mas tem um smartfone.
-Carro: O sujeito se endivida por oito anos para comprar um carro (em 2007 o aumento de financiamentos de veículos aumentou 43,5% e desde então tem crescido a cada ano) e muitas vezes não tem dinheiro para mantê-lo ou para pagar pelo financiamento, o que causa o aumento do número de recuperações de veículos por financeiras (observado desde o ano passado).
Em suma, o jornalista fez uma afirmação ignorando que a compra de carros é impulsionada pela capacidade de endividamento, ignorando as centenas de milhares de demissões (comprovadas pela redução de captação de impostos), o aumento da inadimplência (cheque especial e financiamento de veículos são os lideres). A disseminação desse tipo de convicção cega e impede que a população exija retidão e resultados do governo federal. É lamentável que um jornalista use as atribuições de sua função para disseminar sua opinião ignorando os fatos.
6 opiniões
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Sergio Torres da Silva (104) 02/07/2009 20h27
Sergio Torres da Silva (104) 02/07/2009 20h27
Condenado a 150 anos e cobertura confiscada.
Um belo exemplo de, liberdade enquanto conseguiu esconder e punição quando foi descoberto.
Acho que precisamos, aqui no Brasil, exercitar mais os atos de punição.
3 opiniões
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