Comentários de leitores em notícias dividem seminário internacional de jornalismo
RICARDO FELTRIN
Secretário de Redação da Folha Online, em Bogotá
No primeiro dia do seminário "O Futuro do Jornalismo na Internet e a Profissionalização da Redação On-Line", os debatedores de oito países divergiram nesta quarta-feira sobre como os grandes sites jornalísticos devem agir em relação aos comentários de leitores.
Parte do grupo se diz favorável a um controle (moderação) por parte do site. Outros participantes defenderam a liberdade incondicional de opinião e disseram que os sites deveriam liberar todo e qualquer comentário. Opinião mais radical foi a do jornalista Guillermo Cullel ("El Comercio", do Peru), que questionou a importância de existir um sistema de comentários. "Cabe perguntar se é tão necessário haver comentários, afinal, do ponto de vista jornalístico, eles servem para quê?", polemizou.
No entanto, a maioria absoluta dos participantes defende a postagem como forma de contato direto entre o leitor e a notícia: uma forma de aproximação entre o internauta e o veículo no qual ele navega e se informa.
A Folha Online expôs aos participantes os princípios do software do Sistema de Comentários, criado inteiramente pela Gerência de Tecnologia no ano passado. O sistema conta com cerca de 100 mil mensagens de internautas postadas.
Diferentemente de outros sites ibero-americanos, para participar do fórum da Folha Online é necessário preencher um cadastro e se identificar. Todos os comentários, antes de irem ao ar, passam por moderação dos editores. Todas as mensagens que contêm palavras de baixo calão, ofensas ou de agressão contidas em imensa lista prévia são vetadas automaticamente.
O seminário também discutiu assuntos como a fusão de redações impressa e on-line, e concluiu que tal convergência deverá melhorar o nível do produto jornalístico. A idéia é de que a proximidade entre as duas plataformas só pode agregar valor à noticia.
O evento, promovido pela Fundacion Nuevo Periodismo Ibero-americano (FNPI), vai discutir amanhã como retificar uma informação, principalmente aquelas que já foram espalhadas e linkadas milhares de vezes por outros internautas.
A Folha Online foi o primeiro jornal do hemisfério, em tempo real, a criar uma seção específica para correção de informações: o Erramos, em junho de 2003.
O jornalista Ricardo Feltrin está presente no evento a convite do Google e da FNPI.


Assim, o mérito da abertura para tais manifestações é o que realmente vale.
Tenho certeza de que o mesmo assunto tem pesos diferentes quando tratado por um jornalista, que se preocupa com a ética e seu público, e por um leitor que procura expressar sua opinião, correndo os riscos do ridículo e até de processos, caso se exceda.
Eu próprio já sofri ameaças e pressões por ter publicado artigos com interpretação diferente da versão bem comportada da mídia.
E também já tive barradas manifestações nesta Folha de São Paulo, certamente por divergir das opiniões dos economistas e colunistas habituais.
Até entendo que posso não ter a dimensão dos tais, porém, me reservo o direito de discordar da mesmice de sempre.
Um dos comentários foi sobre a bolsa de valores e a contabilidade nacional e internacional, que na minha opinião precisam ser radicalmente mudadas.
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