Homem ganha causa por vigilância via web na China
da Reuters, em Beijing
Um homem chinês que perdeu seu trabalho e era incomodado por estranhos teve o primeiro ganho de causa na China sobre vigilância na internet. O homem traiu sua última esposa, e o ato foi detalhado na internet.
O jornal "China Daily" disse que a corte de Beijing considerou que a reputação de Wang Fei foi danificada pela colega de sala da sua ex-esposa, Zhang Leyi, que postava trechos diários on-line, escrevendo durante meses que ela havia se matado. Cada trecho recebia comentários de internautas.
"Zhang dava detalhes do caso amoroso, além de revelar o nome verdadeiro de Fei, o nome da sua companhia e alguns endereços de familiares, infringindo as regras de privacidade", disse o juiz.
A universitária foi condenada a pagar 5.000 yuans (R$ 1.720) para Wang, e a empresa responsável por armazenar os textos na internet, Beijing Lingyun Interactive Information and Technology Co Ltd, ao pagamento de 3.000 yuans (R$ 1.040).
O site foi criado pela universitária cerca de dois meses após a descoberta do adultério, com o intuito de ser "uma homenagem [à esposa] após a sua morte, e para ajudá-la a ter justiça".
Os internautas iniciaram ataques raivosos contra Fei, mobilizando um fenômeno conhecido na China como "human flesh search engine" (homem caçado pela máquina, em sentido aproximado). O fenômeno, também conhecido como "cyberbullying", é recorrente nos EUA.
Wang foi forçado a se demitir do trabalho, depois de estranhos entrarem em contato com a companhia na qual ele e sua amante trabalhavam. Não demorou para que procurassem seus pais, e suas fotos, endereços e números de telefone se tornaram públicos na web.
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