Informática
24/12/2008 - 14h29

Blu-ray, sucessor do DVD, não decola nas vendas de Natal

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da France Presse, em Paris

Mesmo depois de se tornar a única referência mundial em termos de discos de alta definição, o Blu-ray, sucessor do DVD, não conseguiu se transformar no principal presente deste Natal. Analistas crêem que o equipamento foi prejudicado pela crise, sua tecnologia restrita, e também pelo seu preço muito elevado.

Na segunda quinzena de fevereiro, a Toshiba jogou a toalha na disputa com a Sony para impor o formato dos discos de alta definição. Ao abandonar o HD-DVD, deixou o Blu-ray, da Sony, como o único formato em todo o mundo.

Nicky Loh/Reuters
Prateleira de discos Blu-ray, cujas vendas representam 2% do total, na Coréia; analistas estão otimistas para vendas em 2009
Prateleira de discos Blu-ray na Coréia do Sul, cujas vendas representam 2% do total

No entanto, quase um ano depois, a invasão do Blu-ray que alguns previam não se confirmou. "Ainda é um mercado restrito", afirma Michael Mathieu, analista do instituto de pesquisa de mercado GfK. "A conversão para este formato será mais longa que aquela que vimos em 1995-1997, com a passagem do videocassete (VHS) para o DVD", completa.

As vendas de leitores de mesa Blu-ray, se excluídos os consoles de videogames PlayStation 3 são tímidas: a estimativa é de quatro milhões em 2008, segundo a Strategy Analytics. O número fica muito longe dos leitores tradicionais, contabilizados em 111 milhões atualmente.

A venda de discos no formato para o Blu-ray representa apenas 2% dos títulos comercializados.

"O público não é o mesmo de quando apareceu o DVD. Na época nos dirigíamos para as casas com televisão. Agora é preciso ter um monitor de alta definição para ter acesso --o que reduz o público potencial a um terço", afirma Mathieu.

Além disso, um estudo científico recente mostrou que o salto tecnológico do DVD para o Blu-ray é menos perceptível para o público que o da passagem do VHS ao DVD.

Outro fator que prejudica o desenvolvimento desta tecnologia é a atual crise econômica.

"Pensamos que o clima econômico vai frear a transição ao Blu-ray", destaca Helen Davis, diretora do departamento de vídeo da britânica Screen Diges. "As pessoas adiarão a compra, a não ser que o leitor de DVD apresente problemas. E mesmo neste caso vão preferir gastar 50 euros em um leitor clássico", explica.

Os players Blu-ray, que também são capazes de ler os "antigos" DVDs, ainda são muito caros: na Europa custam a média de 300 euros (US$ 420), mais que o dobro do que custam nos Estados Unidos (US$ 200). No Brasil, o aparelho não sai por menos de R$ 2.000.

Segundo os analistas, o ano de 2009, o primeiro desde a supremacia do Blu-ray, será determinante para o futuro desta tecnologia. "O mercado deve mais que dobrar", prevê o secretário-geral da associação Blu-ray Partners France, Arnaud Brunet. "Já constatamos uma aceleração, especialmente nos Estados Unidos, onde títulos como "Homem de Ferro" e "Cavaleiro das Trevas" já registram recordes de vendas."

 

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