Informática
01/01/2009 - 15h53

Homenagens à máfia italiana trazem nova polêmica ao Facebook

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colaboração para a Folha Online

Dezenas de páginas no Facebook com homenagens a chefões da máfia italiana trouxeram uma nova polêmica sobre o controle de conteúdo do site de relacionamento. A reclamação agora vem principalmente das famílias que tiveram parentes das vítimas da máfia, conforme reportagem publicada nesta quarta-feira (31) pelo jornal britânico "The Times".

Luca Bruno/AP
Bernardo Provenzano, preso em 2006, é tido por fãs no Facebook como "número 1" da máfia
Bernardo Provenzano, preso em 2006, é tido por fãs no Facebook como "número 1" da máfia

No site podem ser encontradas, por exemplo, milhares de mensagens que prestam tributos a chefões da Cosa Nostra como Salvatore (Toto) Riina, 78, preso em 1993 e que cumpre 12 sentenças de prisão perpétua por homicídio.

Outro homenageado é Matteo Messina Denaro, de Trapani, na Sicília, atualmente considerado o "capo dei capi" (chefe dos chefes) da máfia italiana. Um site de fãs dedicado a Riina já conta com mais de 2.000 membros, que desejaram a ele feliz natal e postaram vídeos em sua homenagem.

Algumas das páginas do Facebook são perfis criados em nome de chefes da máfia. Usuários aceitos como "amigos" de pessoas que aparecem como sendo Messina Denaro, por exemplo, postam mensagens dizendo que são "honrados por sua amizade".

Denaro, 46, ganhou reputação na Itália pela fama de playboy, com gosto por tecnologia, mulheres charmosas e carros velozes. Ele está foragido desde 1993, depois de ser condenado pela morte de um chefe rival de Trapani e por ter estrangulado sua namorada, grávida de três meses.

Glamour

Franco Lannino-Michele Naccari/Efe
Messina Denaro, tem perfil com usuários honrados pela "amizade"
Messina Denaro, tem perfil com usuários honrados pela "amizade"

Os parentes das vítimas da máfia dizem que o fenômeno reflete a falta de apoio público e do Estado para suas causas, além de uma "glamourização" dos criminosos. Para Giovanna Maggiani Chelli, uma das vítimas de um atentando a bomba em Florença em 1993, os usuários desses grupos "estão indo à loucura sobre os chefes da máfia e rindo de crimes extremamente sérios", disse ao "Times".

Com revolta, ela diz ainda que, devido à indiferença sobre as vítimas e ao isolamento a que são submetidas, há lógica no fato de usuários do Facebook elogiarem Riina ou mesmo procurarem sósias de Bernardo Provenzano, 75, outro chefe da máfia preso. "No final das contas, eles venceram", afirmou Chelli.

Nesta quarta-feira (31), um porta-voz do Facebook disse que a companhia estava revendo o conteúdo em questão. "Em geral, o Facebook encoraja seus usuários a relatar conteúdos condenáveis e irá removê-los do site caso uma investigação comprove que o conteúdo ou atividades relacionadas a ele violem os termos de uso do Facebook", disse o representante.

Não é a primeira vez que conteúdo do Facebook é alvo de polêmica. Recentemente, vários usuários protestaram online e publicamente sobre a decisão do site de barrar fotos de mulheres amamentando. Muitas delas, que mostravam os mamilos, foram consideradas ofensivas para crianças.

 

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