Obama pede que Congresso adie fim da TV analógica nos EUA
da Associated Press, em Washington
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo para que o Congresso norte-americano adie o fim das transmissões de TV analógica no país, marcada para 17 de fevereiro. A justificativa é que muitos telespectadores ainda estão despreparados para o processo.
Em uma carta aos parlamentares, John Podesta, um dos chefes da equipe de transição de Obama, afirma que o desligamento da TV analógica não pode ocorrer agora porque o programa governamental criado para ajudar telespectadores na transição para a TV digital ficou sem recursos.
O processo de transição é preocupante porque os proprietários de televisores analógicos não poderão ver TV a menos que assinem serviços de TV digital por cabo, substituam seu televisor por um modelo com "set-top box" (necessário para receber o novo sinal) embutido ou adquiram um conversor. No Brasil, medida semelhante está marcada para 2016, segundo o cronograma oficial.
Os assessores de Obama afirmam que o governo não está fazendo o suficiente para ajudar os telespectadores durante a transição, especialmente em áreas rurais e comunidades menores.
Para subsidiar a compra dos conversores, que custam entre US$ 40 e US$ 80, o governo tem distribuído cupons de desconto no valor de US$ 40 por residência. Entretanto, a Administração Nacional de Telecomunicações e Informação (NTIA), braço do Departamento de Comércio encarregado do programa, alerta que terá de criar uma lista de espera para os descontos, a menos que receba mais dinheiro.
"Com cupons indisponíveis, suporte e educação insuficientes e os norte-americanos mais vulneráveis despreparados, eu apelo para que vocês considerem uma mudança na data estabelecida para a mudança", afirmou Podesta em uma carta enviada aos parlamentares. Para efetivar a medida, seria necessário aprovar uma lei sobre o assunto.
Entretanto, o adiamento deve encontrar grande resistência, especialmente entre os republicanos. Meredith Attwell Baker, da NTIA, afirma que a administração de George W. Bush se opõe à medida, já que o governo e a indústria "investiram muito na preparação para a data". "Um adiamento criaria incerteza, frustração e confusão entre os consumidores", diz.
A empresa de pesquisas Nielsen estima que 8 milhões das 114 milhões de residências com televisão nos Estados Unidos ainda estão completamente despreparadas para a transição. E outros 10% ainda têm ao menos uma televisão que não está pronta para o fim das transmissões analógicas.
As frequências disponíveis com o fim da transmissão analógica devem ser utilizadas para serviços de comunicação sem fio.
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