Licença de Steve Jobs marca fim da "era personalista" na informática
da France Presse, em San Francisco
da Folha Online
A licença tirada por Steve Jobs na Apple --que, segundo analistas, pode se tornar permanente-- traz fortes indícios do fim de uma era no mercado de informática. A notícia vem quase sete meses depois da "aposentadoria" de Bill Gates, que deixou o dia-a-dia na Microsoft para se dedicar ao trabalho filantrópico.
"De muitos modos, nós estamos deixando para trás a era em que as pessoas definiam as empresas", afirma Rob Enderle, analista da Enderle Group. "A gente pode falar dos garotos do Google [Larry Page e Sergey Brin, fundadores da empresa], mas eles são verdadeiros ícones? Eu acho que não. Parece que estamos saindo da era em que havia um rosto por trás da empresa."
| Fotomontagem/Folha Online |
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| Bill Gates e Steve Jobs marcaram "era personalista" no mercado de informática; analistas dizem que esse tempo está no próximo do fim |
Jobs e Gates, ambos nascidos em 1955, cresceram durante a libertária década de 60 e são intrinsecamente ligados a suas marcas, afirma o historiador Peter Friess, presidente do Tech Museum of Innovation, no Vale do Silício (EUA).
"É uma época revolucionária, que 'criava' pessoas. Agora, Google, Facebook e outros se alinham muito mais ao sistema. Redes sociais não mudam o mundo como Gates e Jobs fizeram", afirma. Os executivos são considerados fundamentais para a popularização dos computadores pessoais, que hoje permitem que as pessoas acessem buscadores, redes sociais e outros sites.
Entretanto, no momento, há uma enorme diferença entre os dois. Enquanto Gates deixou a empresa sob um comando definido, com Steve Ballmer como executivo-chefe, a Apple ainda tem futuro incerto. Analistas estão divididos sobre os efeitos da saída de Jobs, temporária ou não, já que a empresa não tem alguém tão forte e visionário para assumir o comando.
Também há incerteza sobre os reais motivos do afastamento: o executivo falou em "desequilíbrio hormonal", mas há rumores sobre um novo câncer de pâncreas --Jobs teve um tumor raro no órgão em 2004.
"É a clássica imagem do cego atrás do elefante. Todos nós estamos lidando com informações parciais", afirma Ashok Kumar, analista da Collins Stewart LLC.
"Há pouca informação e o que foi divulgado é vago, criando mais preocupação, em vez de levar a um sentimento de certeza", afirma Nell Minow, fundador da Corporate Library, empresa especializada em governança, à agência Bloomberg.
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