Pelo 2º ano seguido, Telefônica e Kassab são vaiados na abertura da Campus Party
A abertura da Campus Party Brasil, ocorrida no fim da noite desta segunda-feira (19), em São Paulo, foi marcada por vaias. A Telefônica, maior patrocinadora do evento de tecnologia, e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), foram recebidos com evidentes manifestações negativas por parte da plateia presente no Centro de Exposições Imigrantes.
Depois que Marcelo Branco, diretor da Campus Party, apregoou o evento como "solução para a crise mundial", o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, foi chamado ao palco e recebeu vaias intensas do público --o mesmo havia acontecido na abertura da edição anterior da festa, em 2008.
| Divulgação |
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| Kassab (à esq.) conversa com Valente, da Telefônica, na Campus Party; eles foram vaiados enquanto discursavam no evento |
A Campus Party, que defende bandeiras como a liberdade na internet e o software livre, tem a Telefônica, empresa que é uma das campeãs de reclamações do Procon, como sua principal patrocinadora. Antes mesmo de seu início, a "festa tecnológica" já havia sido alvo de blogueiros por esse motivo. A companhia, por meio de sua assessoria de imprensa, nega que os campuseiros tenham vaiado.
Em seu discurso, Valente ressaltou o fato de a operadora ter 2,5 milhões de assinantes de banda larga, estar implantando uma rede de fibra óptica no Estado e ser a responsável pela internet com velocidade de 10 GB disponibilizada no evento. Mas isso não aplacou as vaias.
Após descer do palco, Valente amenizou o fato. "As críticas são sempre bem-vindas, ainda mais em um ambiente como esse, democrático, em que as pessoas podem se expressar livremente", disse o executivo à Folha Online.
Kassab, reeleito no ano passado com mais de 60% dos votos, também recebeu manifestações contrárias --ele fez um curto pronunciamento, desejando "sucesso à Campus Party" e informando que as pessoas "podem contar com a prefeitura". Em tom de brincadeira, minimizou as críticas: "Fui muito aplaudido também".
Novo viciado
Enquanto isso, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) passou praticamente imune à "ira" dos "campuseiros". Em meio à propaganda de ações de seu governo na área tecnológica, como o acesso a e-mail grátis, Serra revelou que teve entrada recente no mundo digital.
Ele diz que começou a usar a internet apenas em 2003, mas que agora é "viciado" na rede. "Gasto muitas horas nisso. São muitas coisas que temos de aprender", afirmou o tucano.
Solidariedade a Gaza
Já Célio Turino, secretário de programas e projetos culturais do Ministério da Cultura, optou por "jogar com a plateia" e já iniciou sua fala pedindo vivas ao "pinguim", em alusão ao símbolo do sistema operacional Linux, e ao "software livre".
Depois, entrou em um tema polêmico, o atual conflito no Oriente Médio, ao pedir que os "campuseiros" usassem a banda de 10 GB para enviar mensagens de solidariedade ao povo da faixa de Gaza --a região foi bombardeada por Israel três semanas.
Questionado se aquela era uma posição do governo federal, Turino afirmou que a "cultura pró-paz" é defendida por várias autoridades, incluindo as brasileiras. "Não dá para ser a favor de chacinas de crianças em escolas. Não é sustentável", disse.
Tim Berners-Lee, considerado um dos "pais" da web, fez uma curta aparição na abertura da Campus Party --o discurso foi interrompido para que Serra começasse a contagem regressiva para o início oficial da "festa" e a banda Teatro Mágico iniciasse seu show. O grupo faz nova apresentação nesta terça-feira.
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