Folhinha: Crianças brasileiras são as que mais adicionam pais à lista de amigos virtuais
CLARICE CARDOSO
colaboração para a Folha de S.Paulo
Logo que chega em casa, Beatriz Silva, 9, corre para o computador e conta o que fez durante o dia. Do outro lado da tela, não está um amigo virtual qualquer, não.
É o pai da garota que, do escritório, conversa com a filha. "Quando aprendo algo legal, conto para ele na hora. Não preciso esperar um tempão até ele chegar em casa", conta Beatriz.
| Eduardo Anizelli/Folha Imagem |
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| Da esq. para dir: Claudia, 10, Cristina, 43, Paulo, 12, Sérgio, 43, e Caio Enabe, 9, que batem papo pela internet durante o dia |
O caso da família Silva é comum no Brasil, segundo pesquisa feita em 12 países pela empresa Symantec. As crianças brasileiras são as que mais têm os pais na lista de amigos virtuais (veja mais abaixo).
É assim também na casa de Claudia Enabe, 10. Lá, cada um tem seu computador. Os pais estão sempre on-line, com o BlackBerry (celular que também manda e-mails) à mão, para acompanhar a rotina dos três filhos.
Dúvidas na lição? É só mandar uma mensagem para os pais. "Só não pode usar gírias ou abreviações", diz. O irmão caçula, Caio, 9, também conta o que está fazendo para os pais. E aproveita para já dizer se os irmãos aprontaram algo. "Mas a bronca não é pelo MSN. Eles conversam à noite ou ligam na hora."
O mais velho, Paulo, 12, gosta de estar sempre em contato. "A gente se fala mais assim. É melhor do que só ver os pais à noite."
Enzo Shiraishi, 8, também fala com os pais e o irmão pela internet, mas prefere usar sites como o Twitter (um tipo de "microblog"), que só a família pode acessar e ler.
"É mais divertido que bate-papo. Escrevo sobre as minhas ideias legais e as coisas que acho na rede." E a mãe, além de saber sobre o que acontece com o garoto, sabe também com quem ele anda --ou navega. "Com um programa específico para o site, monitoro com quem ele fala. Assim, fica mais seguro", diz Samanta Shiraishi, a mãe.
Dados
- 14% dos internautas fazem parte das "e-famílias", que são pais, filhos, tios, primos, avós etc. que batem papo pela rede.
- 2/3 dos integrantes das "e-famílias" dizem que as relações em casa melhoraram com a internet. Quase 100% deles estão satisfeitos com o tempo que passam com a família.
- 71% dos internautas dizem que a internet facilita o contato com a família.
- Para 45% das "e-famílias", a rede até melhorou os relacionamentos em casa.
- 93% das crianças do mundo conversam e socializam com a família on-line por 5 horas semanais.
- 1 em cada 4 crianças tem os pais como amigos virtuais.
No Brasil
- 7 em cada 10 crianças brasileiras têm os pais na lista de amigos virtuais. Elas são as que mais fazem amizade com os pais na internet.
- 70 horas mensais é o tempo que as crianças brasileiras passam on-line. Elas são as que ficam mais tempo navegando. A média no resto do mundo é de 39 horas mensais.
Fonte: pesquisa "Norton Online Living Report 09", realizada pela Symantec, empresa de segurança na internet, no final de 2008 com 7.724 adultos e crianças de doze países.
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