Informática
22/04/2009 - 14h32

Grandes empresas patrocinam sites piratas

Publicidade

DIÓGENES MUNIZ
editor de Informática da Folha Online

Montadoras, bancos, companhias de internet e telecomunicação, redes alimentícias e até a indústria de entretenimento. Por meio de anúncios, dezenas de empresas de grande porte ajudam a financiar sites que violam os direitos autorais.

Usando o serviço de publicidade de links patrocinados, elas expõem propagandas em páginas como SeriesBr, derrubada a pedido da APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música) neste mês por fornecer download de seriados televisivos sem autorização.

Mesmo após o fechamento do site, ainda era possível topar com anúncios de grandes marcas exibidos por meio da ferramenta de propagandas do Yahoo!. O mais curioso deles oferecia um pacote da TVA, em tese, grande interessada em não ter compartilhadas gratuitamente as atrações de canais pagos. Após a reportagem entrar em contato com o Yahoo!, os anúncios saíram do ar.

Os links patrocinados funcionam de forma a combinar produtos e serviços ao conteúdo que as páginas exibem --ou seja, adaptam a propaganda ao contexto da navegação dos leitores para tentar atingir um maior número de potenciais consumidores.

Em alguns casos, no entanto, a oferta é completamente esquizofrênica. No site RedeDownload.com, anúncios de DVDs e CDs convivem lado a lado com links para downloads gratuitos de seriados de TV, jogos e até filmes que ainda estão em cartaz, como "Monstros Vs. Alienígenas".

"Quase 100% do conteúdo desse site é pirata. O RedeDownload já saiu do ar e voltou hospedado em um servidor estrangeiro", afirma Antônio Borges Filho, diretor-executivo da APCM. "Na maioria das vezes, as grandes empresas não fazem anúncios diretos, elas nem sabem que patrocinam esse tipo de situação. Temos alertado suas agências de publicidade para mostrar que elas estão patrocinando piratas", diz Borges.

Quem mais compra espaço nas páginas do RedeDownload é o BuscaPé, um site de comparação de preços que leva o leitor ao e-commerce de produtos culturais e artigos de informática.

Reprodução
Anúncios no site SeriesBR, derrubado a pedido da APCM neste mês por fornecer download de seriados
Anúncios no site SeriesBR, derrubado a pedido da APCM neste mês por fornecer download de seriados

Mau negócio

O RedeDownload é um dos cem sites mais acessados do país, de acordo com o Alexa, ferramenta que mede audiência na internet. O espaço publicitário no site custa entre R$ 20 a R$ 30 por dia -o contrato mínimo é para dez dias. Isso não necessariamente quer dizer que seus anunciantes estejam fazendo um bom negócio ao expor seus produtos por lá.

"É inferior a 4% o índice dos visitantes desses sites que clicam nos anúncios, porque é um público que está interessado somente no download", diz José Calazans, analista de mídia do Ibope/NetRatings.

"No caso de produtos culturais, como DVDs, não é recomendado anunciar em sites que têm grande tráfego de internautas que fazem downloads P2P porque o anúncio os levaria a procurar esse mesmo DVD em redes de P2P", afirma Calazans.

P2P é a tecnologia utilizada pelos principais programas de trocas de arquivos, conhecidos também como peer-to-peer. Permite aos internautas pegar músicas e filmes diretamente dos computadores de outros usuários conectados sem passar por uma máquina central, o que torna o compartilhamento mais ágil. O que a maioria dos sites como de downloads faz é fornecer um "torrent" que leva o internauta ao conteúdo que ele procura.

Para o blogueiro carioca Carlos Cardoso, que destacou a contradição entre sites piratas e anunciantes no blog Meiobit na semana passada, as empresas responsáveis pelos programas de anúncios direcionados fazem vista grossa para certos tipos de irregularidades. "O Google filtra malware [softwares maliciosos], filtra sites de pornografia infantil, filtra sites que o governo chinês manda, mas não se dá ao trabalho de bloquear sites piratas", critica.

Segundo Yahoo! e Google, os anúncios que aparecem em seus programas de links patrocinados são monitorados por ferramentas que excluem propagandas consideradas inadequadas. Os anunciantes também têm controles para saber onde suas marcas estão aparecendo.

Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil, ressalta que, "como nenhum processo é perfeito, existe a possibilidade de alguns destes sites fora do regulamento rodarem anúncios por um breve tempo, até que possamos agir".

O BuscaPé diz que seu programa de anúncios para sites afiliados também tem entre as regras não hospedar atividades ilegais. "A verificação é feita manualmente, mas não está livre de fraudes. Toda vez que uma fraude é constatada, o BuscaPé retira imediatamente o endereço de sua base de afiliados", informou, por meio da assessoria de imprensa.

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Comentários dos leitores
Panayotis B. Giannopoulos (11) 17/11/2009 18h44
Panayotis B. Giannopoulos (11) 17/11/2009 18h44
Acabar a pirataria é muito dificil, é a mesma coisa que acabar com os vírus de computador... pro mal sempre tem alguem um passo a frente... sempre... mas pra reduzir drasticamente é fácil e não depende de nenhum esquadrão de caça aos piratas.. que tal começar assim: Nos tempos atuais, 10% de lucro é um lucro razoável não é mesmo? E se esse lucro vem de alguém que não faz nada? chega a ser até muito certo? então, seguindo esse raciocínio, porque o Bendito Governo não baixa a carga tributária em cima dos produtos campeões de pirataria?????? Mas enfim, eu posso estar errado, pois foi justamente esta Bendita carga tributária que nos salvou da Crise Global...rsrs... Com vocês os comentários.. se bem que meu sonho é ter um comentário de algum governante aqui, mas eles não leem esse tipo de coisa... até a próxima sem opinião
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Fernando Martínez (40) 22/10/2009 01h16
Fernando Martínez (40) 22/10/2009 01h16
É simplesmente IMPOSSÍVEL tentar frear este tipo de coisa, é milhares de vezes mais difundido e normal do que qualquer droga legal/ilegal existente. Em outras palavras, não tem volta. Compartir é uma forma para dar aos demais uma amostra do produto final, isso ocorreu com o filme Wolverine, mesmo com a divulgação do produto "beta", não afetou em nada as vendas, muito pelo contrário, vendeu mais do esperado! 2 opiniões
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Luis Coelho (1) 24/09/2009 18h21
Luis Coelho (1) 24/09/2009 18h21
Eh realmente uma coisa muito triste de se ver. O que essas empresas da industria da musica nao entendem eh que agora eh tarde demais pra isso. A caixa de pandora ja foi aberta e ja faz tempo. O mundo eh muito criativo e sempre encontraram um jeito. Se proibirem o P2P, usaram outro meio, se proibirem de utilizar o arquivo no player, usaram outro player. Se o windows para de ler mp3, entao usaram o linux. Nao existe mais jeito para isto. Qualquer formato que criarem se nao for possivel copiar e compartilhar nao ira vingar. Ainda mais o povo brasileiro onde temos os melhores analistas de sistemas do Mundo, os melhores programadores e os melhores crackers. Vejam o que estao fazendo com o Pirate Bay, eh outra tentativa infundada de parar o que naum pode ser mais parado, de frear um trem a 300km por hora. Mas eh normal esse tipo de reacao das empresas que ja estao devendo horrores e estao fadadas a falencia se nao fizerem nada criativo para reverterem essse processo e pararem de ficar tentando buscar a era de ouro do passado que naum volta mais. Diga sim a sua liberdade digital. 2 opiniões
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