Informática
22/04/2009 - 14h32

Associação antipirataria apagou até músicas de banda independente

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DIÓGENES MUNIZ
editor de Informática da Folha Online

Em outubro do ano passado, mais de 50 blogs disponibilizaram para download o EP ("extended play", com menos músicas do que um álbum tradicional) do grupo paulistano Cérebro Eletrônico, "Pareço Virtual". Em dezembro, a APCM derrubou o arquivo, armazenado no site 4shared. Detalhe: foi a própria banda que optou por divulgar as músicas dessa forma.

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Juliano Polimeno, da Phonobase, cogitou processar a APCM
Juliano Polimeno, da Phonobase, cogitou processar a APCM

O EP fazia parte da estratégia de divulgação do álbum "Pareço Moderno", que chegara ao mercado três meses antes. Enquanto o álbum tinha 12 faixas, o EP oferecia oito (três remixes, quatro músicas do disco e uma gravação ao vivo).

"Nunca recebi nenhum tipo de notificação dizendo que estava associado a eles [APCM] ou que qualquer uma dessas associações me representasse", diz Juliano Polimeno, diretor-executivo da Phonobase, agência de serviços musicais responsável pela estratégia de lançamento do material. Juliano chegou a cogitar ir à Justiça contra a APCM, mas "não teria saco para aguentar um processo desse tipo".

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Cérebro Eletrônico adotou estratégia de lançamento com distribuição pela web
Cérebro Eletrônico adotou estratégia de lançamento com distribuição pela web

À época, Polimeno escreveu um e-mail aos blogueiros que ajudavam a divulgar o trabalho da banda: "A Phonobase e o Cérebro Eletrônico são os únicos detentores do fonograma --e dos direitos patrimoniais e morais. Nós não concedemos à APCM qualquer representatividade, ou seja, eles não podem agir em nosso nome, nem retirar o que quer que seja do ar sem nos consultar." Também encaminhou um protesto à associação -que se desculpou pelo equívoco- e republicou as músicas.

Segundo o músico Tatá Aeroplano, vocalista do grupo de pop eletrônico, ao colocar as faixas de graça na rede o grupo esbarrou "numa gente que ainda não sabe lidar com as novidades". "Vários integrantes baixam muita música na internet. Eu mesmo baixo ou ouço no MySpace e depois compro o disco", conta.

"No começo, fiquei puto. Mas, no fim, o erro da APCM quadruplicou o alcance da nossa ação de lançamento. Até o momento já foram quase 3 mil downloads", comemora Polimeno. O álbum foi vendido em quatro formatos diferentes (por download, em embalagem de CD comum, num encarte "digipack" e em uma caixa mais trabalhada, chamada de "Box Cerebral"). Somadas, as vendas foram de 1.617 unidades.

Procurado pela reportagem, Antônio Borges Filho, diretor-executivo da associação, disse que "como todos seres humanos, a APCM pode ter falhado". "Se tiver ocorrido isso [eliminação irregular de links da banda], dou minha mão à palmatória."

Arte

Mercado

Dados divulgados pela ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Disco) na semana passada mostram que a indústria fonográfica não tem do que reclamar quanto ao comércio de músicas pela internet.

O segmento da música digital no país teve crescimento de 79,1% no ano passado. A participação do mercado digital no total das receitas com música gravada passou de 8% para 12% entre 2007 e 2008.

No mundo, o crescimento foi de 25% no mesmo período, de acordo com o "Digital Music Report" divulgado pela (Ifpi) Federação Internacional da Indústria Fonográfica em janeiro deste ano. Mundialmente, as plataformas digitais geraram em 2008 receitas que já representam 20% do total das vendas de música gravada.

As companhias que reportam estatísticas para a ABPD (EMI, MK Music, Music Brokers, Paulinas, Record Produções, Som Livre, Sony Music, Disney Records) faturaram em 2008 no mercado de música digital R$ 43,5 milhões. Desse total, 22% foram representados por receitas advindas da internet (R$ 9,68 milhões) e 78%, vendas de música digital via telefonia móvel (quase R$ 34 milhões).

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Comentários dos leitores
Panayotis B. Giannopoulos (11) 17/11/2009 18h44
Panayotis B. Giannopoulos (11) 17/11/2009 18h44
Acabar a pirataria é muito dificil, é a mesma coisa que acabar com os vírus de computador... pro mal sempre tem alguem um passo a frente... sempre... mas pra reduzir drasticamente é fácil e não depende de nenhum esquadrão de caça aos piratas.. que tal começar assim: Nos tempos atuais, 10% de lucro é um lucro razoável não é mesmo? E se esse lucro vem de alguém que não faz nada? chega a ser até muito certo? então, seguindo esse raciocínio, porque o Bendito Governo não baixa a carga tributária em cima dos produtos campeões de pirataria?????? Mas enfim, eu posso estar errado, pois foi justamente esta Bendita carga tributária que nos salvou da Crise Global...rsrs... Com vocês os comentários.. se bem que meu sonho é ter um comentário de algum governante aqui, mas eles não leem esse tipo de coisa... até a próxima sem opinião
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Fernando Martínez (40) 22/10/2009 01h16
Fernando Martínez (40) 22/10/2009 01h16
É simplesmente IMPOSSÍVEL tentar frear este tipo de coisa, é milhares de vezes mais difundido e normal do que qualquer droga legal/ilegal existente. Em outras palavras, não tem volta. Compartir é uma forma para dar aos demais uma amostra do produto final, isso ocorreu com o filme Wolverine, mesmo com a divulgação do produto "beta", não afetou em nada as vendas, muito pelo contrário, vendeu mais do esperado! 2 opiniões
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Luis Coelho (1) 24/09/2009 18h21
Luis Coelho (1) 24/09/2009 18h21
Eh realmente uma coisa muito triste de se ver. O que essas empresas da industria da musica nao entendem eh que agora eh tarde demais pra isso. A caixa de pandora ja foi aberta e ja faz tempo. O mundo eh muito criativo e sempre encontraram um jeito. Se proibirem o P2P, usaram outro meio, se proibirem de utilizar o arquivo no player, usaram outro player. Se o windows para de ler mp3, entao usaram o linux. Nao existe mais jeito para isto. Qualquer formato que criarem se nao for possivel copiar e compartilhar nao ira vingar. Ainda mais o povo brasileiro onde temos os melhores analistas de sistemas do Mundo, os melhores programadores e os melhores crackers. Vejam o que estao fazendo com o Pirate Bay, eh outra tentativa infundada de parar o que naum pode ser mais parado, de frear um trem a 300km por hora. Mas eh normal esse tipo de reacao das empresas que ja estao devendo horrores e estao fadadas a falencia se nao fizerem nada criativo para reverterem essse processo e pararem de ficar tentando buscar a era de ouro do passado que naum volta mais. Diga sim a sua liberdade digital. 2 opiniões
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