Associação antipirataria apagou até músicas de banda independente
DIÓGENES MUNIZ
editor de Informática da Folha Online
Em outubro do ano passado, mais de 50 blogs disponibilizaram para download o EP ("extended play", com menos músicas do que um álbum tradicional) do grupo paulistano Cérebro Eletrônico, "Pareço Virtual". Em dezembro, a APCM derrubou o arquivo, armazenado no site 4shared. Detalhe: foi a própria banda que optou por divulgar as músicas dessa forma.
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| Juliano Polimeno, da Phonobase, cogitou processar a APCM |
O EP fazia parte da estratégia de divulgação do álbum "Pareço Moderno", que chegara ao mercado três meses antes. Enquanto o álbum tinha 12 faixas, o EP oferecia oito (três remixes, quatro músicas do disco e uma gravação ao vivo).
"Nunca recebi nenhum tipo de notificação dizendo que estava associado a eles [APCM] ou que qualquer uma dessas associações me representasse", diz Juliano Polimeno, diretor-executivo da Phonobase, agência de serviços musicais responsável pela estratégia de lançamento do material. Juliano chegou a cogitar ir à Justiça contra a APCM, mas "não teria saco para aguentar um processo desse tipo".
| Divulgação |
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| Cérebro Eletrônico adotou estratégia de lançamento com distribuição pela web |
À época, Polimeno escreveu um e-mail aos blogueiros que ajudavam a divulgar o trabalho da banda: "A Phonobase e o Cérebro Eletrônico são os únicos detentores do fonograma --e dos direitos patrimoniais e morais. Nós não concedemos à APCM qualquer representatividade, ou seja, eles não podem agir em nosso nome, nem retirar o que quer que seja do ar sem nos consultar." Também encaminhou um protesto à associação -que se desculpou pelo equívoco- e republicou as músicas.
Segundo o músico Tatá Aeroplano, vocalista do grupo de pop eletrônico, ao colocar as faixas de graça na rede o grupo esbarrou "numa gente que ainda não sabe lidar com as novidades". "Vários integrantes baixam muita música na internet. Eu mesmo baixo ou ouço no MySpace e depois compro o disco", conta.
"No começo, fiquei puto. Mas, no fim, o erro da APCM quadruplicou o alcance da nossa ação de lançamento. Até o momento já foram quase 3 mil downloads", comemora Polimeno. O álbum foi vendido em quatro formatos diferentes (por download, em embalagem de CD comum, num encarte "digipack" e em uma caixa mais trabalhada, chamada de "Box Cerebral"). Somadas, as vendas foram de 1.617 unidades.
Procurado pela reportagem, Antônio Borges Filho, diretor-executivo da associação, disse que "como todos seres humanos, a APCM pode ter falhado". "Se tiver ocorrido isso [eliminação irregular de links da banda], dou minha mão à palmatória."
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Mercado
Dados divulgados pela ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Disco) na semana passada mostram que a indústria fonográfica não tem do que reclamar quanto ao comércio de músicas pela internet.
O segmento da música digital no país teve crescimento de 79,1% no ano passado. A participação do mercado digital no total das receitas com música gravada passou de 8% para 12% entre 2007 e 2008.
No mundo, o crescimento foi de 25% no mesmo período, de acordo com o "Digital Music Report" divulgado pela (Ifpi) Federação Internacional da Indústria Fonográfica em janeiro deste ano. Mundialmente, as plataformas digitais geraram em 2008 receitas que já representam 20% do total das vendas de música gravada.
As companhias que reportam estatísticas para a ABPD (EMI, MK Music, Music Brokers, Paulinas, Record Produções, Som Livre, Sony Music, Disney Records) faturaram em 2008 no mercado de música digital R$ 43,5 milhões. Desse total, 22% foram representados por receitas advindas da internet (R$ 9,68 milhões) e 78%, vendas de música digital via telefonia móvel (quase R$ 34 milhões).
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