Informática
27/04/2009 - 18h23

Empresa cancela game que retrata conflito mais sangrento do Iraque

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da Folha Online

O game "Six Days in Fallujah", criado em realidade virtual a partir do pior conflito ocorrido na Guerra do Iraque, teve seu lançamento cancelado pela empresa que editaria o jogo, a japonesa Konami, em reação à controvérsia causada pelo anúncio do seu lançamento. As informações foram dadas pelo jornal japonês The Asahi Shimbun nesta segunda-feira (27).

"Depois de observar a reação a respeito do game nos Estados Unidos, e de uma audiência de opiniões recebidas por telefone e e-mails, nós decidimos, há alguns dias, não comercializar o jogo", disse um porta-voz oficial da Konami.

Divulgação
Uma das primeiras imagens divulgadas de "Six Days in Fallujah"; lançamento que enfureceu veteranos, foi cancelado pela editora
Uma das primeiras imagens divulgadas de "Six Days in Fallujah"; lançamento gerou reclamações e foi cancelado

A Konami planejava lançar o jogo no mercado em 2010.

De acordo com o site da revista Wired, não houve pronunciamento da empresa produtora do jogo, a Atomic Games, sobre a o que pretende fazer com o trabalho já realizado no desenvolvimento do game.

"Mas soa duvidoso o fato de que outra grande editora estaria disposta a arriscar outro clamor público semelhante em relação à publicação imediata do game", informa a revista.

"Six Days In Fallujah" era descrito pela empresa como um "horror de sobrevivência" (estilo de game no qual predominam esses temas). O jogo se inspira na segunda batalha de Fallujah, também conhecida como "Fúria Fantasma". Estima-se que 1.500 insurgentes foram mortos, além de 38 soldados das tropas norte-americanas.

O título estaria disponível para os games Xbox 360 e PlayStation 3.

No começo do mês, a Folha Online antecipou a polêmica em torno do jogo, a partir da reação de veteranos da Guerra do Iraque na Inglaterra. Um alto coronel do Exército britânico e o pai de um soldado morto na batalha do Iraque teceram críticas ao jogo, e pediram que a sua comercialização fosse proibida.

"Lançar um jogo sobre uma guerra que ainda está acontecendo é demais. E é uma resposta extremamente impertinente a um dos mais importantes eventos da história contemporânea", disse o coronel Tim Collins, do 1º Batalhão Real do Regimento Irlandês. "É particularmente insensível a o que aconteceu em Fallujah, e eu certamente vou me opor ao lançamento desse jogo."

Em 2003, a Sony foi forçada a abandonar os planos de lançamento do game "Shock an Awe", também baseado na Guerra do Iraque, depois da reação negativa dada pela esfera pública. Mais tarde, a empresa admitiu que a ideia foi "mal avaliada".

 

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