Informática
14/05/2009 - 21h25

Ato contra "Lei Azeredo" reúne militantes, Suplicy e fãs de Teatro Mágico em SP

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MARINA LANG
colaboração para a Folha Online

O denominado "Ato Público contra o AI-5 Digital" levou por volta de 300 pessoas à Assembleia Legislativa de São Paulo, na noite desta quinta-feira (14). A manifestação tinha o objetivo de protestar contra a chamada "Lei Azeredo", que tipifica crimes cometidos na internet.

Veja imagens do protesto realizado na Assembleia de SP

O público se dividia entre os engajados quanto à derrubada do projeto de lei e fãs da banda Teatro Mágico: "Vim só por eles", disse uma garota, próxima à reportagem. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também foi ao protesto e foi convidado a participar da mesa de debates --Aloisio Mercadante (PT-SP), colega de Senado e de partido de Suplicy, é um dos maiores apoiadores do projeto.

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Azeredo concebeu texto da lei sobre crimes na internet aprovada no Senado em 2008
Azeredo concebeu texto da lei sobre crimes na internet aprovada no Senado em 2008

Suplicy afirmou ser contra a lei e defendeu um novo texto para o assunto. Antes, ele parecia um pouco perdido: "Não sei de nada sobre internet. Podem me perguntar sobre distribuição de renda, outros assuntos. Mas sobre internet, sobre esse projeto, não sei nada. Quero aprender com vocês".

Colado no centro da mesa, um cartaz com a caricatura do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), autor do texto aprovado no Senado, levava a frase "Caixa 2.0" --em alusão ao suposto esquema de compra de votos para a campanha dele, nas eleições de 1998. Nenhum membro do PSDB esteve presente na discussão.

Um panfleto do Partido Pirata sueco, escrito em português, também circulava entre participantes, explicando as origens da entidade no país escandinavo, e informando que a "filial" brasileira foi fundada em 2007. A principal proposta, segundo o panfleto, é o "Projeto Odereza" (anagrama do nome de Azeredo, ao contrário), que "prega a transparência e o acesso aos direitos do cidadão".

Prós e contras

O matemático Carlos Nascimento, 33, também conhecido como "Chester", contemporizou a situação. "A lei é dividida. Por um lado, existe uma intenção positiva, a tipificação dos crimes. Mas o meio como é prevista, por meio de controle e monitoramento, é ineficaz e coloca o controle na mão de órgãos particulares", diz. Para ele, a comparação com o Ato Institucional no. 5 (instituído pelo presidente Costa e Silva em 1968, que tornou a ditadura mais coercitiva quanto às liberdades civis) é um "exagero".

"Não gosto do nome, acho muito exagero. O AI-5 teve proporções muito maiores do que está em questão aqui". Sua amiga, a analista de sistemas Daniela Valentin, 29, concorda. "Mas acho que denominar de AI-5 foi mais para chamar a atenção dos brasileiros. Foi uma comparação pesada, mas para fazer chocar."

27.abr.09-Mastrangelo Reino/Folha Imagem
"Não sei de nada sobre internet", afirmou Suplicy, antes de condenar o projeto de lei
"Não sei de nada sobre internet", afirmou Suplicy, antes de condenar o projeto de lei

O senador Azeredo condenou a escolha do nome da manifestação e a comparação com o AI-5. "Isso é um desserviço ao país. Trata-se de uma ignorância em relação à história, de pessoas que não sabem o que foi o AI-5", afirmou Azeredo à Folha Online nesta semana.

Vida prática

O empresário de software livre Marcelo Marques, 40, disse que o projeto de lei prejudica seus negócios em três pontos. "Dou aulas, não posso ser polícia dos meus clientes. Em aulas à distância, não posso controlar o que alunos estão fazendo. E, em cursos no exterior, teria que auditar quem está fora do país", diz.

Outros participantes tegiversaram. "Por que não se criminaliza o jabá?", questionou Fernando Anitelli, líder do Teatro Mágico, sob aplausos. "Os artistas têm que se submeter ao 'quem indica', aos contatos nas emissoras para ter veiculação", protestou.

Sem monitoramento

"Tenho uma filha, e nem eu monitoro o que ela vê na internet. Espero o veto do presidente da República", afirmou o deputado estadual Rui Falcão (PT). "Em nome de pegar os bandidos, estão atrás dos mocinhos", afirmou à Folha Online o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

De acordo com o parlamentar, manobras para convencimento dos demais congressistas estão sendo feitas, a fim de impedir que o projeto de lei seja aprovado. Não há data definida para a sua votação na Câmara.

"Estamos vivendo um momento policialesco. A criminalização dos movimentos sociais, criminalização do aborto, e agora a criminalização da internet", disse o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP). "É um projeto nocivo, que tem objetivo claro de interesses econômicos atrás disso. Quem está? Indústria fonográfica, banqueiros, indústria cultural e, evidentemente, as teles".

Entretanto, Aloisio Mercadante, autor do parecer sobre o projeto no Senado, nega que o projeto tenha a intenção de impor a censura. "Eu também defendo a liberdade na internet --é algo que a humanidade conquistou e deve ser preservado. Mas não podemos deixar de combater os crimes na internet", diz.

Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (26) 05/10/2009 14h50
Ricardo Perrone (26) 05/10/2009 14h50
Essa tentativa absurda de estabelecer Leis para controlar a Web é coisa de políticos e empresas que não compreende os princípios e a verdadeira dimensão da Web. Acusam a Web de ser palco para a realização de crimes, contudo não percebem que a característica global da rede transcendem o conceito de fronteiras físicas que determinam a aplicabilidade de uma Lei. Não se pode obrigar indivíduos do outro lado do planeta a seguir uma legislação feita aqui no Brasil. Além disso, ninguém é obrigado a integrar a rede mundial. Portanto se uma empresa teme os riscos e não sabe como se defender, então nunca entre na rede!!! Certos tipos de crimes já estão previstos na Lei atual (ex: calúnia e difamação) e a Web é apenas uma midia de divulgação. Logo, quem tem que ser punido é o "individuo e não o meio". O meio de divulgação não pode ser restringido ou mesmo penalizado por práticas criminosas individuais. Obrigar provedores a violar dados pessoais não pode jamais ter uma base legal. Alguns juízes deturpam a interpretação da Lei para a conveniência da investigação. Crimes tem que ser investigados com base em provas e fatos, e não com base em violação de privacidade das pessoas. sem opinião
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Bruno Galiza (1) 05/10/2009 11h33
Bruno Galiza (1) 05/10/2009 11h33
A ditadura está voltando...bem devagar...assim ninguem percebe... sem opinião
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Eduardo Perim (1) 03/08/2009 23h49
Eduardo Perim (1) 03/08/2009 23h49
Falamos tanto nessa tal privacidade, que chega a ser cansativo... Sinceramente só teme tanto quem, por acaso, tem vida dupla. 3 opiniões
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