Informática
09/06/2009 - 08h27

Estudo da Câmara sobre internet colide com "Lei Azeredo"

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MARINA LANG
colaboração para a Folha Online

O texto do projeto de lei de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que tipifica crimes cometidos na internet ganhou mais um crítico nesta semana. Dessa vez, a artilharia vem do próprio Parlamento, mais especificamente de um estudo conduzido pela Câmara dos Deputados a ser divulgado nesta quarta-feira (10), obtido pela Folha Online com exclusividade.

Alvo de polêmica, a "Lei Azeredo" traz um texto que especifica e penaliza os crimes cometidos por intermédio da internet.

O documento analisa a relação entre os meandros legislativos e a dinâmica da internet --e pede cautela quanto à composição de legislações relativas ao tema. "Nos casos em que, de fato, há novos delitos apenas possíveis pelo advento da rede, uma legislação pode ser necessária, mas sempre tendo em conta que a rede não tem fronteiras e que as soluções tecnológicas mudam o cenário muito rapidamente. Associar leis com a tecnologia em uso pode levar à sua rápida obsolescência", informa o estudo.

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Prédio do Congresso Nacional; estudo conduzido pela Câmara dos Deputados colide com a chamada "Lei Azeredo"
Prédio do Congresso Nacional; estudo conduzido pela Câmara dos Deputados colide com "Lei Azeredo"

"A configuração descentralizada, a velocidade da evolução tecnológica, o crescimento vertiginoso da rede e seu caráter transnacional estabelecem novos parâmetros de sustentabilidade e de controle da rede, diferentes dos tradicionais", afirma.

Intitulado "Legislação sobre internet no Brasil" e com a chancela da consultora legislativa Elizabeth Machado Veloso, o trabalho aponta para a cautela na edição de leis sobre a internet.

Isso porque, segundo o levantamento, "uma das grandes barreiras à regulamentação e aplicação de leis é a ausência de fronteira, em que a localidade é um ambiente que não existe na internet, o que torna questionável e ineficaz medidas como a identificação do usuário, que pode acessar a rede por meio de países sem qualquer relevância geopolítica, caso seja obrigado a se identificar em seu país de origem".

Uma das diretrizes da lei do senador Eduardo Azeredo é a identificação dos usuários, assim como o armazenamento dos dados dos internautas pelos provedores de acesso à internet por um período de até dois anos (veja mais sobre o projeto de lei abaixo). "É preciso definir também até onde vai a responsabilidade dos blogueiros e dos provedores de acesso", questiona o estudo.

"Qualquer tentativa de regulação deve ser feita de maneira parcimoniosa e reduzida, sob pena de obsolescência da lei, em razão do dinamismo tecnológico", conclui.

Saiba mais

A chamada "Lei Azeredo" propõe, em seus eixos fundamentais, a penalização ou multa, a partir da tipificação de crimes como o acesso não autorizado a rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado; a obtenção, transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação; a divulgação ou utilização indevida de informações e dados pessoais; a inserção ou difusão de código malicioso e a inserção ou difusão de código malicioso seguido de dano, entre outros.

Alan Marques-30.abr.09/Folha Imagem
Azeredo concebeu texto da lei sobre crimes na internet aprovada no Senado em 2008
Azeredo concebeu texto da lei sobre crimes na internet aprovada no Senado em 2008

Para que isso seja posto em prática, o projeto de lei determina a identificação dos internautas, a partir de dados de navegação armazenados pelos provedores de acesso à internet, durante um período de dois anos.

O debate a respeito da legislação proposta pelo senador Azeredo é acalorado. No mês passado, 300 militantes se reuniram na Assembleia Legislativa de São Paulo, a fim de contestar o texto --que recebeu a designação de "AI-5 Digital" [editado sob a administração do presidente Costa e Silva, o Ato Institucional número 5 foi um dos principais símbolos do recrudescimento da ditadura].

O evento teve participação do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e de outros parlamentares, que defendem um novo texto sobre o assunto. Outro crítico é o ministro da Justiça, Tarso Genro, que se manifestou por comunicado, condenando o projeto de lei.

Em fevereiro, durante a Campus Party (maior evento de tecnologia brasileiro), internautas protestaram contra o assessor de Azeredo, José Henrique Santos Portugal, e contra o desembargador Fernando Botelho --que auxiliou na redação do texto.

À Folha Online, o senador Eduardo Azeredo defendeu a legislação. "Já foi feita uma discussão ampla. As pessoas querem inventar problemas que o projeto não tem. Sem regras nesse assunto, a internet vai continuar sendo terra de ninguém", disse.

Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (26) 05/10/2009 14h50
Ricardo Perrone (26) 05/10/2009 14h50
Essa tentativa absurda de estabelecer Leis para controlar a Web é coisa de políticos e empresas que não compreende os princípios e a verdadeira dimensão da Web. Acusam a Web de ser palco para a realização de crimes, contudo não percebem que a característica global da rede transcendem o conceito de fronteiras físicas que determinam a aplicabilidade de uma Lei. Não se pode obrigar indivíduos do outro lado do planeta a seguir uma legislação feita aqui no Brasil. Além disso, ninguém é obrigado a integrar a rede mundial. Portanto se uma empresa teme os riscos e não sabe como se defender, então nunca entre na rede!!! Certos tipos de crimes já estão previstos na Lei atual (ex: calúnia e difamação) e a Web é apenas uma midia de divulgação. Logo, quem tem que ser punido é o "individuo e não o meio". O meio de divulgação não pode ser restringido ou mesmo penalizado por práticas criminosas individuais. Obrigar provedores a violar dados pessoais não pode jamais ter uma base legal. Alguns juízes deturpam a interpretação da Lei para a conveniência da investigação. Crimes tem que ser investigados com base em provas e fatos, e não com base em violação de privacidade das pessoas. sem opinião
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Bruno Galiza (1) 05/10/2009 11h33
Bruno Galiza (1) 05/10/2009 11h33
A ditadura está voltando...bem devagar...assim ninguem percebe... sem opinião
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Eduardo Perim (1) 03/08/2009 23h49
Eduardo Perim (1) 03/08/2009 23h49
Falamos tanto nessa tal privacidade, que chega a ser cansativo... Sinceramente só teme tanto quem, por acaso, tem vida dupla. 3 opiniões
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