Informática
20/06/2009 - 10h03

Negros e latinos são maioria entre os sem-TV digital nos EUA

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BRUNO ROMANI
colaboração para a Folha de S.Paulo, em Berkeley

Na última sexta-feira, dia 12, as transmissões analógicas de televisão chegaram ao fim nos EUA. Quem não se adaptou ao sinal digital viu seu televisor em branco. Com a transição para o sinal digital, teve também início a era dos sem-TV.

Nos três primeiros dias sem o sinal analógico, o FCC, a Anatel americana, recebeu 800 mil ligações de cidadãos com dúvidas sobre a transição. O número foi menor do que o previsto. O órgão diz que esperava entre 600 mil e 3 milhões de ligações na sexta-feira.

Mary Ann Chastain -5.jun.09/AP
Negros e latinos são maioria entre os sem-TV digital com desligamento de sinal nos EUA
Negros e latinos são maioria entre os sem-TV digital com desligamento de sinal nos EUA

De acordo com dados do instituto Nielsen, divulgado dois dias antes do fim da TV analógica, 2,5% dos lares americanos estavam despreparados para a nova tecnologia. Isso significa que 2,8 milhões de lares que tinham acesso à televisão aberta não podem mais acompanhar seus programas favoritos.

O perfil dos sem-TV reprisa antigas divisões sociais dos EUA. Os grupos mais afetados são os negros e a comunidade latina. Os primeiros apareciam com índice de 5,1% de despreparados para a transição, o dobro da média nacional. Os latinos tinham 4,3%.

Outros números mostram que os sem-TV estão entre os mais pobres do país. Entre os que os que não estavam prontos para a transição, 63% não tinha acesso à internet. A média de aparelhos de televisão em uma casa despreparada era 1,6. Esse número subia para 2,5 entre os lares prontos.

"Em quase todas as estatísticas sobre quem ganha ou perde nos EUA, as minorias aparecem, e isso é mais um exemplo", disse à Folha Jeffrey Hart, editor na América do Norte do "International Journal of Digital Television".

Em 1997, o fim das transmissões analógicas foi marcado para dia 31 de dezembro de 2006. Em março daquele ano, foi adiado para 17 de fevereiro deste ano. Em janeiro último, o prazo foi novamente ampliado.

No começo de fevereiro, 5,1 milhões de lares não estavam prontos para a TV digital. O governo reformou o site da transição digital e ampliou o subsídio à compra de conversores digitais. Mas não foi suficiente.

O grupo dos sem-TV deve ser ainda maior. Moradores de áreas mais distantes podem ficar sem alguns canais. Isso porque o sinal digital é mais sensível que o analógico em relação a obstáculos geográficos ou meteorológicos. "A gente deve ouvir bastante reclamação nas próximas semanas", diz Hart.

 

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