"Blogs são imprensa livre que não temos", diz blogueiro do Irã
RAUL JUSTE LORES
da Folha de S.Paulo, em Pequim
Em fevereiro, o jornalista e blogueiro iraniano Roozbeh Mirebrahimi, 30, foi condenado pela Justiça iraniana a dois anos de prisão e 84 chicotadas, por "propaganda contra o sistema", por "difamação do Supremo Líder" e por "perturbar a ordem pública".
A sentença saiu quando Mirebrahimi já estava em Nova York --ele fugiu há dois anos do Irã, depois de ficar desempregado nos primeiros dois anos do governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad, cuja reeleição no último dia 12 provocou uma inédita onda de protestos contra o regime islâmico.
"Fiquei em uma lista negra", diz o jornalista.
Mirebrahimi estava no grupo dos quatro primeiros blogueiros que foram presos no Irã, no final de 2004, depois de revelar detalhes de uma investigação sobre a morte de uma jornalista no país.
Ele apanhou, foi torturado e abusado sexualmente nos 60 dias em que ficou preso. "Envelheci trinta anos na prisão" é o máximo que ele diz hoje sobre o período.
Formado em ciência política pela Universidade de Teerã, a melhor do país, ele nasceu em 1979, ano da vitória da Revolução Islâmica, em um vilarejo às margens do mar Cáspio. Filho de um taxista com uma costureira, Mirebrahimi morava em uma pequena casa na zona sul de Teerã, a mais pobre da capital, com a mulher, também jornalista e blogueira.
Tratado como herói na blogosfera iraniana, hoje ele edita um jornal sobre o Irã no exterior e colabora com a "resistência-cyber", enviando programas que ajudam a driblar a censura iraniana para seus amigos que ainda estão no país.
Ele conversou com a Folha por telefone sobre as manifestações que perdem fôlego no Irã sob a repressão do regime. Mirebrahni diz que internet sozinha não faz revolução.
Passeata e CNN
Não se faz revolução só pela internet. É bom ter passeata, ter manifestação, com cartazes. O povo precisa estar na rua, fico pessimista ao ver que as pessoas estão apavoradas em casa, com medo de apanhar, da prisão ou de morrer. É bom conquistar blogs, mas precisamos estar na CNN, no "New York Times", na imprensa tradicional. Achar que dá para mudar o regime só no Twitter [portal de mensagens breves] é ingênuo.
Driblar a censura
Há centenas de blogueiros iranianos, como eu, que tiveram que fugir do país. Uma de nossas responsabilidades é suprir quem ficou com os mais modernos filtros, vpns, proxies [mecanismos de conexão indireta] que sirvam para driblar a censura.
Blogosfera livre
A TV estatal iraniana tem martelado diariamente que os opositores são malvados, violentos, irresponsáveis. A raiva só aumenta. Com 30 anos de TV estatal iraniana, pouca gente nas cidades acredita no que ela fala, só mesmo em vilarejos, no campo. As pessoas buscam outras fontes de informação. A blogosfera é a imprensa livre que nós não temos.
De porta em porta
Quando o governo cortou toda a comunicação por celulares e tirou a internet do ar, tive amigos imprimindo discursos em papel e colocando por debaixo das portas. Outros gritam de janela em janela. Os jovens iranianos estão desesperados por mudança.
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"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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