Após críticas, China decide adiar instalação de filtro antipornografia em PCs
da Associated Press, em Pequim
da Folha Online
A China decidiu adiar a obrigatoriedade de que todos os computadores vendidos no país venham com um filtro para barrar conteúdo pornográfico, depois que internautas e países como os Estados Unidos reclamaram da medida. A exigência entraria em vigor nesta quarta-feira (1º).
A agência oficial Xinhua informou que o governo "vai adiar" o plano, mas não informou se a medida será colocada em prática no futuro. Pela decisão, os fabricantes teriam, obrigatoriamente, de fornecer o software, mas os usuários poderiam optar pela instalação.
Apesar de o filtro ter como alvo principalmente os sites contendo pornografia, o veto atinge também as páginas de internet com informações sexuais, mesmo as de caráter científico. Sites que remetem a estudos e perguntas vinculadas à sexualidade serão acessíveis somente aos profissionais da saúde e aos pesquisadores.
"A China coloca as empresas em uma posição insustentável ao pedir, praticamente sem aviso público, que instalem de maneira prévia um programa que parece ter implicações de censura mais amplias e problemas de segurança das redes", afirmou o representante do Comércio Exterior dos Estados Unidos, Ron Kirk, em uma carta assinada com o secretário do Comércio, Gary Locke.
Pesquisadores da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, afirmaram ainda que o programa tem sérios problemas de segurança --seria possível, por exemplo, que pessoas mal intencionadas controlassem o computador dos usuários de forma remota.
Os pesquisadores afirmaram também que o sistema bloqueia não só conteúdos relacionados a textos obscenos, mas também frases consideráveis condenáveis pelo Partido Comunista.
Usuários que já testaram o programa afirmam que ele bloqueia o acesso a um amplo leque de conteúdos, de discussões sobre homossexualidade a imagens de histórias em quadrinhos como Garfield.
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