Informática
30/05/2001 - 04h22

Serviço de internet móvel dói no bolso e irrita usuário

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da Folha de S.Paulo

Saber que um e-mail que você mandou da rua com o seu celular chegou ao destinatário é uma experiência agradável. Mas só até a chegada da conta do telefone, ou, se for o caso, até a hora de checar o crédito restante do pré-pago.

Como enviar uma mensagem com menos de dez palavras via WAP é uma tarefa que pede cerca de cinco minutos de conexão -pelo menos para usuários pouco habituados a digitar com o minúsculo teclado dos aparelhos-, a conta, em um caso extremo, pode chegar a R$ 4.

Esse é o preço cobrado na cidade de São Paulo por cinco minutos de navegação com um celular pré-pago (R$ 0,80 por minuto).

Para comparar: o mesmo e-mail enviado a partir de um micro doméstico, deixando de lado a mensalidade do provedor, sairia por R$ 0,18 em São Paulo. Isso caso o usuário ligue o micro com a intenção de passar apenas uma mensagem. Se ele quiser passar dez, por exemplo, esses centavos serão mais do que suficientes.

Com celulares pós-pagos, que cobram menos por ligação, a situação é menos grave, mas o bolso ainda pode reclamar.

As tarifas variam conforme o plano de assinatura. Em São Paulo, o minuto da ligação durante o dia sai por R$ 0,47, pela BCP, e R$ 0,46, pela Telesp Celular, nos planos em que o preço da assinatura é mais baixo.
Dessa maneira, o e-mail citado antes sairia por R$ 2,35 e R$ 2,30, respectivamente.

Desistência
Mesmo quem está disposto a arcar com esse custo perde a paciência com o WAP. Segundo pesquisa do instituto americano Meta Group, entre 80% e 90% dos usuários corporativos dos EUA -que receberam telefones WAP das empresas em que trabalham- desistiram de acessar a internet sem fio; usam os aparelhos só para falar. Na Europa e na Ásia, esse índice fica entre 65% e 75% do total de usuários. A razão disso, segundo o estudo, seriam os recursos limitados do sistema.

De fato, além de o teclado ser pouco dado à digitação, as pequenas telas dos celulares não ajudam: é preciso apertar continuamente um botão para fazer os textos dos sites rolarem pela telinha. Mesmo assim, a leitura de textos curtos acaba roubando alguns caros minutos de conexão.

"O serviço ainda é lento, está mais para o tempo do XT [micro lerdo e monocromático da década de 80". Essa limitação na velocidade desmotiva o usuário a utilizá-lo de forma interativa e intensiva", diz Carlos Boschetti, vice-presidente de operações da companhia telefônica BCP.

Luis Avelar, da Telesp Celular, tem uma visão mais otimista: "Há uma demora para acessar o menu principal. Mas os usuários, quando entram nesse menu, têm uma experiência satisfatória".

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