Informática
15/08/2001 - 03h09

"KaZaA" instala softwares de espionagem

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da "Salon"

O "KaZaA", que promete substituir o "Napster" no terreno dos programas para troca de músicas pela internet, já ganhou novo apelido: espião da rede mundial.

Qualquer um que instalar o programa gratuito em seu micro vai descobrir que o "KaZaA" não tem apenas um programinha em seu pacote de aplicativos. Vem com mais cinco produtos.

O "New.net" permite que programas de navegação vejam domínios não-oficiais como .kids, .family e .shop.

Há ainda o "Webhancer", que rastreia os hábitos e velocidades de acesso. O "Cydoor", o "OnFlow" e o "EZula" funcionam como anunciantes, variando em frequência, forma e aborrecimentos.

Alguns desses aplicativos caem na categoria "spyware". Isso porque residem no disco rígido, mas, automaticamente, são vistos como um telefone de casa para servidores na rede.

Podem ameaçar a privacidade e a segurança, segundo críticos. Imagine que um estranho descubra que tipo de arquivo você está baixando na rede.

Apesar de o internauta poder optar por não instalar os aplicativos que fazem parte do pacote, pouca gente escolhe essa alternativa -especificamente no "KaZaA", esse tipo de opção não está bem visível. O "Cydoor", por exemplo, é imprescindível para conseguir utilizar o "KaZaA".

Na opinião do consultor Everett Church, "a máquina do internauta fica completamente vulnerável, uma vez que os programas capturam qualquer tipo de informação, até mesmo a leitura de arquivos de texto".
Isso inclui desde simples procedimentos no disco rígido até a leitura de mensagens que foram deletadas depois de enviadas.

Os potenciais perigos da falta de segurança não são aplicáveis somente ao "KaZaA". Qualquer pedaço de programa que usa a rede pode ser utilizado como dispositivo de monitoramento.

O "KaZaA" requer atenção especial pelo número de programas parasitas que estão associados a ele. A profusão desses parasitas chama a atenção. Os parasitas desse programa pagam pelo privilégio de fazer parte do pacote.

Esqueça o modelo adotado pelo comércio eletrônico, em que o anunciante paga pela propaganda seguindo uma tabela que se aplica ao número de páginas visitadas. Trata-se de um novo padrão para a internet: a era dos programas parasitas.

Empresas como Cydoor e Ezula pagam de US$ 0,10 a US$ 0,20 por download. Multiplicados por milhões de downloads, esses centavos começaram a valer algo no faturamento da KaZaA.

A receita é simples. Quanto mais parasitas você tem, mais a concorrência vê sua empresa como um vencedor.

"O dinheiro tem de vir de algum lugar", afirma Niklas Zennström, um dos fundadores da empresa. "Há muita gente que pensa que tudo na internet deveria ser de graça, sem contrapartida publicitária." Não é dessa forma que as empresas operam, acredita o executivo.

Guerra pela audiência
Screensavers (programas protetores de tela), jogos e outros tipos de programa, conhecidos como "freeware", serviram de hóspedes para empresas nos anos 90.

No patamar das gigantes na guerra pela audiência na internet, Microsoft e Netscape travaram batalhas com ferocidade para incluir uma penca de programinhas gratuitos em seus navegadores. Esse perfil, no entanto, mudou.

O problema de parasitologia na rede foi detectado em janeiro de 2000. "Estava usando uma versão nova do "ZoneAlarm" [software que avisa os usuários quando há alguma brecha na segurança do PC] quando fui avisado de que o programa "TSADBOT.EXE" estava tentando usar minha conexão de internet", diz Steve Gibson, um especialista em segurança.

"A tentativa foi feita pela Conducent, empresa que já não existe mais, porém descobri que havia algo em meu sistema que eu não tinha instalado deliberadamente." Gibson tratou de espalhar essa notícia pela rede.

O termo "spyware" foi inventado para descrever instalações furtivas no disco rígido que coletam informações e as mandam para o inventor do programa.




 

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